Um homem canadense acusado de vender um composto químico levemente letal não será julgado no Reino Unido, segundo decisão do Ministério Público britânico. A medida envolve Kenneth Law, apontado pela promotoria canadense como responsável por vender substâncias letais a cerca de 1.200 pessoas ao redor do mundo, incluindo várias pessoas no Reino Unido.
Law, ex-chef, deverá admitir 14 acusações de auxílio ao suicídio no Canadá em uma audiência em Ontário nesta sexta-feira. As autoridades canadenses dizem que ele comercializou e enviou quantidades letais da substância pela internet, o que motivou investigações transnacionais com apoio de dezenas de países.
O CPS informou por meio de uma carta às famílias no Reino Unido que não haveria acusações contra Law no país devido a complexidades legais. O documento também aponta que o caso canadense levará em conta as perdas das famílias britânicas.
Uma das famílias prejudicadas, representada por David Parfett, perdeu o filho Thomas, de 22 anos, que utilizou a substância supostamente vendida por Law. Parfett afirmou que desejava que Law enfrentasse justiça no Reino Unido e pediu uma investigação pública sobre as mortes.
Thomas Parfett era famoso por ser fã de futebol e apreciava o esporte, segundo o pai. Parfett mencionou a frustração com a decisão de não levar o caso a julgamento no Reino Unido e ressaltou a necessidade de cooperação entre departamentos do governo.
O caso envolveu uma investigação complexa realizada por ao menos 11 órgãos de polícia e investigadores de cerca de uma dezena de países, incluindo Reino Unido, Itália e EUA. Law foi preso em 2023 e responde a 14 acusações de auxílio ao suicídio e 14 de homicídio em segundo grau no Canadá.
No início, detetives britânicos avaliavam se 88 mortes estavam relacionadas aos pacotes que supostamente continham a substância de Law. Em comunicado, o CPS indicou que 73 óbitos podem estar ligados ao acusado e que ele enviou cerca de 330 pacotes ao Reino Unido.
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