Após 700 dias de prisão, 10 ativistas da organização ambiental Mother Nature Cambodia (MNC) foram condenados em julho de 2024, em Phnom Penh. Agora, 73 organizações da sociedade civil, nacionais e internacionais, pedem a entrega imediata da liberdade unconditional aos acusados.
Em julgamento com duração de pouco mais de um mês, cinco ativistas compareceram aos depoimentos e receberam penas entre seis e oito anos de prisão. Entre eles estavam Long Kuntha, Ly Chandaravuth, Phuon Keoraksmey e Thun Ratha, cada um com seis anos, além de Yim Leanghy, que recebeu oito anos por conspiração e insulto ao rei. Os demais foram julgados à revelia.
A defesa recorreu na tentativa de reverter as sentenças durante a audiência de apelação, marcada inicialmente para 2 de junho de 2026, mas foi adiada indefinidamente pela Corte de Apelação de Phnom Penh. A demora aponta para um uso continuado de recursos legais como estratégia.
Em carta aberta endereçada ao Primeiro-Ministro Hun Manet, 73 signatários, incluindo organizações como Cambodian Center for Human Rights, LICADHO e a Amnesty International, reivindicam a libertação dos ativistas. O grupo argumenta que as prisões ocorrem em condições precárias, com os réus separados e distantes de familiares, prejudicando o acesso a defesa.
A carta também condiciona a libertação à pressão internacional, citando a cúpula da Francofonia, que ocorre em Phnom Penh de 14 a 16 de novembro, como momento de demonstrar compromisso com o combate ao aquecimento global e à proteção ambiental. Segundo especialistas, governos costumam usar apelos públicos para influenciar casos politicamente sensíveis.
No contexto, ativistas do MNC enfrentam repressão contínua no país, com registros de investigações, ameaças e prisões relacionadas a denúncias de desmatamento, extração de areia e privatização de recursos naturais. Diversos membros já tiveram de deixar o país para buscar proteção.
Entre na conversa da comunidade