Marjane Satrapi, artista franco-iraniana mundialmente conhecida pela graphic novel Persépolis, morreu aos 56 anos em Paris, França. Segundo fontes próximas, ela faleceu de tristeza, pouco mais de um ano após a morte do marido, Mattias Ripa, produtor e roteirista sueco, ocorrida em abril de 2025.
Nascida em Rasht, Irã, em 22 de novembro de 1969, Satrapi cresceu em meio a uma família politicamente engajada e viveu a Revolução Islâmica de 1979. Essas experiências moldaram sua visão crítica sobre o Irã e tiveram peso central em suas obras.
Carreira e obras
Persépolis, lançada em 2000, é uma autobiografia em quadrinhos que retrata a infância e juventude em Teerã, com episódios da vida familiar e do período de repressão. A obra também aborda a passagem para Viena, em meio a tensões políticas.
A carreira de Satrapi ganhou ainda o cinema em 2007, com a adaptação de Persépolis, dirigida em parceria com Vincent Paronnaud. O filme recebeu o Prêmio do Júri de Cannes, o César de melhor roteiro adaptado e foi indicado ao Oscar de melhor animação.
Ativismo e reconhecimento
Além da produção artística, Satrapi se destacou pelo ativismo político. Ela foi crítica do regime iraniano e apoiou o movimento Mulher, Vida, Liberdade, iniciado após a morte de Mahsa Amini em 2022.
Em 2023, coordenou o livro Mulher, Vida, Liberdade, reunindo artistas e estudiosos para denunciar a repressão no Irã. Em 2024, foi eleita membro da Academia Francesa de Belas Artes e rejeitou a Legião de Honra, citando hipocrisia e políticas migratórias.
Últimos anos e legado
Antes de falecer, Satrapi criou a Fundação Mattias e Marjane Ripa-Satrapi, para apoiar estudantes estrangeiros interessados em cinema em Paris. Em publicações nas redes sociais, comentou a perda do marido com uma reverberante mensagem de dor.
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