Thomas Weir Pauken II, um jornalista dos EUA residente na China há mais de uma década, se declarou culpado em tribunal americano por atuar como agente ilegal para a República Popular da China (RPC). A admissão ocorreu em Alexandria, Virgínia, durante uma audiência em que ficou evidente o envolvimento dele em uma conspiração para obter informações sensíveis do governo dos EUA para a China.
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), Pauken admitiu ter feito parte de uma conspiração destinada a coletar informações confidenciais do governo norte‑americano, sob orientação de pessoas ligadas à RPC. As informações foram apresentadas em documentos judiciais que detalham a atuação desde 2019 até fevereiro deste ano.
Pauken passou a trabalhar para várias organizações de mídia na China, incluindo a China Central Television e a Xinhua News, atuando sob direção de indivíduos com vínculos com o governo chinês. Entre os seus contatos está uma pessoa identificada como “Cathy”, que o abastecia com tarefas, inclusive para encontrar potenciais ativos de inteligência.
A relação entre Pauken e “Cathy” começou em 2017, conforme registros do DOJ, quando foi promovida por um assessor de discurso do presidente chinês Xi Jinping, ligado ao contexto das tensões comerciais entre EUA e China na época. O DOJ afirmou que o jornalista recebeu ao menos 100 mil dólares por seus serviços.
Entre 2019 e 2025, Pauken teria viajado várias vezes para encontrar pessoas nos EUA que pudessem fornecer informações a serem repassadas à RPC. A investigação afirma que ele coletou inteligência sobre alvos americanos e encaminhou os relatos a interlocutores de origem chinesa, segundo o FBI.
A denúncia aponta ainda que Pauken trabalhou com outras duas pessoas na China, identificadas como “William” e “Richard”. Eles teriam indicado que os relatos enviados por Pauken eram encaminhados também para o Japão. Os investigados também teriam solicitado informações para facilitar espionagem cibernética.
Além disso, Pauken repassou informações sobre o Departamento de Justiça dos EUA e sobre tecnologia a um grupo em Wuhan, além de buscar apoio para encontrar um especialista que contribuísse com atividades de espionagem cibernética.
Após a audiência, o advogado de Pauken, Charles Burnham, disse a veículos de imprensa que o réu reconhece a responsabilidade e busca promover relações pacíficas e a defesa da liberdade religiosa na China, conforme declaração ao Politico.
O réu deverá ser sentenciado em 1º de setembro, podendo cumprir até 10 anos de prisão, conforme a acusação. O caso demonstra a atuação contínua de entidades ligadas à RPC para influenciar ou obter informações estratégicas no território americano.
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