A desinformação voltou a atrapalhar os esforços para conter o eto da Ebola no leste da República Democrática do Congo, especialmente na província de Ituri, epicentro do surto atual. Pacientes recusam tratamento, diagnósticos atrasam e profissionais de saúde sofrem agressões.
Dados oficiais apontam que a epidemia já provocou 115 mortes no país, enquanto o número de casos segue sob monitoramento. Entre as histórias de desinformação, circula a ideia de que não existe Ebola no território e que a doença seria restrita a redes sociais e à imprensa internacional.
A disseminação de fake news se soma a situações de risco direto: há relatos de atrasos no atendimento médico, resistência ao rastreamento de contatos e receio de visitas de equipes de saúde a domicílios, o que prejudica a contenção.
As agressões a trabalhadores humanitários e a funcionários do governo também foram registradas. Em Ituri, duas tendas de uma ONG ficaram incendiadas após a tentativa de familiares de uma vítima de acessar o corpo, violando protocolos de segurança.
Em Bunia, no fim de maio, parentes de outra vítima chegaram a quase agredir trabalhadores durante um enterro conduzido conforme normas sanitárias. Esse tipo de episódio demonstra o impacto direto da desinformação na prática de saúde pública.
Especialistas apontam que o problema não é novo, mas se agravou com o aumento do uso de redes sociais. A crise de confiança na região aparece como fator complementar às falsas informações.
Para enfrentar o quadro, organizações como ActionAid defendem reconstruir a confiança entre autoridades, comunidades e equipes de resposta. A estratégia passa por capacitar embaixadores locais para repassar informações em idiomas regionais.
Profissionais ouvidos pela AFP ressaltam que líderes comunitários, sobreviventes e até curandeiros tradicionais, com grande credibilidade local, podem atuar como aliados importantes na divulgação de orientações de saúde pública.
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