O míssil de cruzeiro russo Burevestnik, equipado com um reator nuclear, realizou em outubro de 2025 um teste de voo no Ártico. O objetivo declarado é demonstrar alcance e persistência, porém observadores o classificaram como arriscado devido à radiação emitida durante o trajeto.
Cientistas do MIT analisaram o caso com base em imagens do teste. Jake Hecla, professor do instituto, criou um modelo tridimensional do artefato e avaliou como poderia funcionar o reator que alimenta o míssil. O estudo foi divulgado publicamente em junho, em parceria com outro pesquisador.
O funcionamento envolve propulsão nuclear de ciclo direto com respiração atmosférica. O ar é forçado através de canais do núcleo e aquecido pela reação, gerando empuxo. Como não há circuito selado, gases radioativos são exalados pelo escapamento durante todo o voo, elevando o risco ambiental.
Essa emissão contínua de radiação coloca em risco pessoas próximas aos locais de teste, além de aumentar a erosão dos componentes do reator pela compressão e aquecimento do ar. O resultado é descrito pelos especialistas como um pesadelo ambiental para equipes e comunidades ao redor.
Em 2019 houve um episódio ligado ao projeto: uma tentativa de recuperar um protótipo no fundo do mar causou explosão e pico de radioatividade na região. Acredita-se que uma equipe russa esteja ligada ao incidente durante a operação de recuperação.
O Burevestnik é concebido para transportar ogivas nucleares, com o impacto liberando radiação de forma disseminada. Apesar do alcance potencialmente ilimitado, o míssil não é considerado invulnerável aos sistemas de defesa, segundo avaliações de autoridades de segurança.
Relatórios de organizações externas apontam que o míssil pode evitar radares e defesas, voando a baixa altitude entre 50 e 100 metros e alterando trajeto de forma imprevisível. Analistas veem o desenvolvimento como etapa provável para drones de vigilância de longa duração.
A pesquisa sobre o Burevestnik continua a gerar debate sobre benefícios estratégicos versus riscos ambientais e de segurança. Especialistas indicam a necessidade de avaliações rigorosas e transparência internacional sobre tais tecnologias.
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