A vitória de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia reacendeu o debate sobre o comportamento do eleitorado latino-americano. O analista Mário Braga, da Rane, afirma que não houve uma guinada ideológica, e sim uma resposta ao descontentamento com governos que não entregam resultados.
Braga aponta que países como Chile, Argentina, Peru e Colômbia exibem um padrão de alternância entre esquerda e direita. O fator comum é a insatisfação popular com incumbentes e a percepção de falta de melhorias na qualidade de vida.
Ele ressalta que, embora existam especificidades nacionais, a região continua com déficits na prestação de serviços públicos e na transformação de riqueza de commodities em bem-estar social. Em períodos sem boom de commodities, o eleitorado tende a punir governos no poder.
Denominador comum na região
Segundo o analista, a escassez de avanços estruturais persiste mesmo com diferenças históricas. Ele afirma que esses países ocupam posições desfavoráveis em rankings de corrupção e distribuição de renda, o que alimenta a insatisfação.
Braga compara o momento atual à chamada pink tide, movimento que levou à vitória de governos de esquerda há cerca de oito anos. Para ele, esse ciclo também decorreu da falha de governos de direita em entregar resultados, abrindo espaço para a oposição.
O especialista aponta que, com as sucessivas eleições de líderes de direita, o público migra para alternativas A esquerda ou à direita, segundo o contexto. O Brasil foi citado como exemplo, com pesquisas mostrando um eleitorado dividido ao meio e espaço limitado para candidaturas fora de extremidades.
Da “maré rosa” à ascensão da direita
A análise de Braga sugere que o atual ciclo de insatisfação não representa mudança ideológica abrupta, mas ajuste político diante de resultados limitados. O foco permanece em governos que não conseguem converter recursos naturais em ganhos sociais.
Entre na conversa da comunidade