O governo brasileiro não enviará representantes à audiência pública marcada para 6 de julho, que discute a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A ausência foi anunciada como decisão institucional do governo.
O foco da audiência é definir impactos da tarifa sobre o comércio bilateral, dentro de uma investigação da Seção 301. Segundo o analisado, diálogos bilaterais já ocorrem há pelo menos um ano, com reuniões frequentes entre o USTR e o governo brasileiro.
José Pimenta, colunista da CNN Money, ressalta que a participação do setor privado é central neste estágio técnico do processo. Empresas brasileiras com atuação nos EUA já sinalizam presença na audiência, por meio de manifestações por escrito e apresentações no local.
Setor privado brasileiro na mira do processo
Pimenta destaca que é necessário demonstrar que produtos exportados pelo Brasil são insubstituíveis no mercado norte-americano, especialmente pela ausência de produção equivalente nos EUA. O objetivo é mostrar relevância de itens estratégicos para a economia americana.
Além das discussões oficiais, o conteúdo da investigação abrange temas amplos sob a Seção 301, como comércio digital, meios de pagamento (incluindo o Pix), propriedade intelectual, etanol e desmatamento. Não há hierarquização pública de itens por risco.
Dimensão da relação comercial entre Brasil e EUA
A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, a Chamber, também planeja participar da audiência, defendendo as relações comerciais com o Brasil. A entidade enfatiza o impacto de tarifas elevadas sobre consumidores e setores produtivos dos EUA em um fluxo de comércio estimado em cerca de US$ 80 bilhões.
Pimenta aponta que o comércio entre os dois países é sólido e diversificado, com participação brasileira em setores como máquinas e equipamentos, café solúvel, insumos do agronegócio, madeira, móveis, pescados, celulose e papel.
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