O Irã transformou o funeral de Ali Khamenei em demonstração de poder. A cerimônia, iniciada após a morte do líder aos 86 anos, está prevista para durar até 9 de julho, com um cortejo fúnebre que deverá passar pelo Iraque, incluindo Najaf e Karbala. O atraso ocorreu por causa da guerra no Oriente Médio deflagrada por ataques dos EUA e de Israel e das consequências na região.
Circula ainda a confirmação de que familiares do aiatolá, entre eles filha e netos, estariam entre as vítimas do ataque, embora informações oficiais não indiquem de forma conclusiva os danos no local. A divulgação das cerimônias ocorreu após a entrada em vigor de um cessar-fogo frágil entre Washington e Teerã.
Mobilização nacional
Segundo Ali-Akbar Purdjamschidian, chefe do comitê organizador, o evento de seis dias visa fortalecer coesão entre grupos políticos, sociais e religiosos. O país, com 93 milhões de habitantes, mobiliza apoiadores para as cerimônias. A partir de sábado haverá três dias oficiais de luto em Teerã, com grande impacto na atividade econômica local.
Teerã se prepara para receber visitantes de todo o território, com restrições de funcionamento de empresas durante o luto. O sepultamento de Khamenei está marcado para 9 de julho, em Mashhad, cidade natal do líder. Um dia antes, a passagem do cortejo pelo Iraque está prevista, atravessando Najaf e Karbala.
Legado e contexto regional
Durante os 37 anos de liderança, as tensões externas aumentaram, aliadas a dificuldades econômicas e sanções relacionadas ao programa nuclear. Analistas destacam que Khamenei exerceu forte controle estatal, com pouca abertura a concessões a opositores.
A situação interna gerou protestos ao longo do tempo, incluindo movimentos de 2009, 2022 e o ciclo de 2025-2026, todos fortemente reprimidos. Avalia-se que a liderança manteve posição firme, contribuindo para distanciar setores da sociedade do aparato político.
Perspectivas externas
Especialistas destacam que o Irã reforçou sua rede de influência regional, com o Hezbollah próximo e relações com grupos linha-dura. Ainda existem divergências internas sobre negociações com os Estados Unidos, com o desfecho ainda incerto.
Para parte da base de apoio, o funeral é visto como demonstração de resistência. A percepção de que o país pode enfrentar dificuldades sem apoio externo persiste entre muitos iranianos, especialmente diante de impactos da guerra e da crise econômica.
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