O Vaticano anunciou que as consagrações de quatro bispos feitas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em 1º de julho resultaram em excomunhão automática dos envolvidos e em cisma do grupo. A instituição foi advertida repetidamente para não prosseguir, mas manteve o ato.
A FSSPX, fundada em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre, celebra a missa em latim de forma estrita e se coloca em oposição às reformas do Concílio Vaticano II. O movimento também critica o ecumenismo e a colegialidade e administra priorados, capelas, missões, seminários e centenas de sacerdotes.
Em Écône, Suíça, o episódio de 1988 marcou o ápice da controvérsia, com Lefebvre consagrando quatro bispos contra a vontade do Papa João Paulo II. O Vaticano declarou excomunhão de Lefebvre e dos bispos, em apoio à unidade da Igreja.
O Papa Bento XVI suspensionou essa excomunhão em 2009, esclarecendo que a FSSPX não tem status canônico e seus ministros não exercem ministérios legítimos. Em 2015-2016, o Papa Francisco ampliou privilégios, validando confissões ouvidas por sacerdotes da FSSPX e, posteriormente, autorizando o reconhecimento de casamentos.
Antes das consagrações de julho, o Papa Leão XIV fez um apelo para que a FSSPX reconsiderasse, destacando o bem espiritual dos fiéis e o risco de privação de sacramentos. O Vaticano apontou que a desobediência contraria a unidade e a autoridade do Papa.
O Dicastério para a Doutrina da Fé enviou, em 2 de julho, orientações para acolher ex-membros após o ato cismático. Ex-gramo admite que sacerdotes que deixam a FSSPX devem buscar remissão da excomunhão junto a um bispo diocesano, mediante documentos e adesão à fé.
Para fiéis leigos, as determinações não são automáticas e devem ser avaliadas caso a caso. Embora as missas da FSSPX continuem válidas, o acompanhamento e participação devem seguir critérios morais e pastorais, conforme orientação da Igreja.
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