A exportação de carne de frango do Brasil, maior fornecedor mundial do produto, pode chegar a um patamar inédito de até 5,875 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 10,3% em relação a 2025. A projeção é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), divulgada nesta terça-feira (28). O levantamento considera as dúvidas em […]
A exportação de carne de frango do Brasil, maior fornecedor mundial do produto, pode chegar a um patamar inédito de até 5,875 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 10,3% em relação a 2025. A projeção é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), divulgada nesta terça-feira (28). O levantamento considera as dúvidas em torno dos embarques para a União Europeia e o conflito no Oriente Médio.
A produção nacional de frango deve subir até 5,6%, ficando entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas. O avanço ocorre mesmo com o mercado doméstico enfrentando o endividamento das famílias, inclusive por conta das apostas online, fator que reduz o orçamento disponível para alimentação entre a população de menor renda.
O consumo de frango por habitante no país deve subir para até 48,1 quilos em 2026, ante 46,7 quilos no ano anterior, segundo a entidade, que reúne empresas como MBRF e Seara, do grupo JBS.
Possível bloqueio europeu não assusta o setor
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, avaliou que, mesmo que a União Europeia suspenda as importações de frango brasileiro a partir de 3 de setembro, o impacto seria administrável por meio da realocação dos embarques para outros destinos. O bloco europeu condiciona a manutenção das compras a garantias de que o Brasil não utilize antimicrobianos na produção destinada à exportação, tema que ainda está em negociação.
Segundo Santin, o país já havia ficado sem acesso ao mercado europeu por quatro meses no ano passado, período em que a gripe aviária motivou a interrupção das compras, e mesmo assim as exportações totais de 2025 fecharam em alta. Para ele, isso demonstra a capacidade do Brasil de redirecionar a produção.
O dirigente reconheceu que o peito de frango, item de maior valor agregado, é o principal produto vendido à Europa, o que geraria alguma perda de receita em caso de embargo. Ele ponderou, no entanto, que o bloco europeu responde por menos de 5% dos embarques brasileiros, fatia bem inferior à do Oriente Médio, que foi o destino de quase 30% do volume exportado em 2025.
Para Santin, um cenário mais grave seria o fechamento do mercado oriental. Ele observou que, apesar da guerra envolvendo o Irã, rotas logísticas como o Canal de Suez seguem operando normalmente.
O executivo afirmou que o Brasil já pratica a segregação da produção sem antimicrobianos exigida pelos europeus, e que o governo brasileiro trabalha para oferecer uma camada adicional de comprovação nesse sentido. Ele disse considerar viável que os embarques para o bloco continuem após 3 de setembro, caso a decisão dos europeus leve em conta as informações preliminares já apresentadas pelo Brasil, e não apenas o relatório final da avaliação.
Segundo Santin, o setor tem articulado junto a importadores europeus para que eles próprios pressionem seus governos, argumentando que a oferta brasileira pode ser estratégica em um momento em que países da União Europeia enfrentam incêndios florestais e novos casos de gripe aviária.
Primeiro semestre teve recorde em receita
Os embarques brasileiros de frango fecharam os seis primeiros meses do ano com marcas recordes tanto em faturamento quanto em volume, impulsionados pela demanda de China, Japão e Emirados Árabes Unidos. Santin também mencionou a procura da própria Europa como fator relevante, além de uma antecipação de compras por parte de importadores, movimento ligado ao temor de um embargo a partir de setembro.
Para 2027, a ABPA projeta exportações de até 6,05 milhões de toneladas de frango, um avanço de até 3,0% sobre a estimativa para 2026. A produção do próximo ano deve alcançar até 16,6 milhões de toneladas, alta de até 2,8% na mesma comparação.
Carne suína também deve crescer
No segmento de carne suína, em que o Brasil ocupa a terceira posição entre os exportadores mundiais, atrás de Estados Unidos e União Europeia, a ABPA prevê embarques de até 1,6 milhão de toneladas em 2026, aumento de até 5,9% sobre o ano anterior.
Santin afirmou que, mesmo com a retração das vendas para a China neste ano, o Brasil tem conquistado espaço em outros mercados. Segundo ele, os concorrentes europeus perdem participação, enquanto os produtores norte-americanos ampliam vendas, tendo a própria China como grande compradora.
O dirigente destacou que a produção chinesa está em nível elevado, mas o país deve continuar comprando miúdos suínos, já que seu consumo supera a capacidade interna de produção.
O Brasil, por outro lado, tem aumentado os embarques para as Filipinas, que se tornaram o principal destino do produto nacional, já que o país asiático ainda não conseguiu controlar a peste suína africana em seu território.
Segundo Santin, a produção brasileira de carne suína deve somar até 5,87 milhões de toneladas em 2026, alta de até 5,0% em relação ao ano anterior. Ele afirmou que o setor não percebeu queda no consumo interno, apesar do cenário econômico difícil, marcado pelo endividamento das famílias e pelas apostas online.
Para 2027, a associação estima exportações de carne suína de até 1,7 milhão de toneladas, crescimento de até 6,3% sobre 2026, com produção projetada em até 6,05 milhões de toneladas, avanço de até 3,1% na mesma base de comparação.
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