Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Generais dos EUA alertam Pentágono sobre riscos de estender conflito no Irã

Documento sigiloso detalha preocupação de comandantes com desgaste das Forças Armadas norte-americanas

Porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos navega em alto-mar, com aeronaves de guerra estacionadas no convés e outro navio ao fundo
Porta-aviões dos EUA cruza o Estreito de Ormuz, alvo da pressão de Trump sobre o Irã (Crédito: Elliot Schaudt/AFP)

A extensão das operações militares de grande escala contra o Irã é insustentável e compromete a capacidade das Forças Armadas dos Estados Unidos de responder a ameaças em outras regiões, incluindo o próprio território americano. O alerta foi feito ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, por comandantes do Exército, da Marinha, da Força Aérea e […]

A extensão das operações militares de grande escala contra o Irã é insustentável e compromete a capacidade das Forças Armadas dos Estados Unidos de responder a ameaças em outras regiões, incluindo o próprio território americano. O alerta foi feito ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, por comandantes do Exército, da Marinha, da Força Aérea e de operações na Europa, na Ásia e na América Latina.

A informação foi apurada pelo jornal norte-americano The Washington Post, que teve acesso a um documento sigiloso do Pentágono. Segundo o veículo, os alertas constam no chamado Secretary of Defense Orders Book (SDOB) de 14 de agosto e foram relatados por fontes que preferiram não se identificar devido à classificação do material.

O SDOB normalmente é elaborado duas vezes por mês e detalha a disponibilidade global de navios, aeronaves, pessoal e sistemas de armas dos Estados Unidos. O documento reflete as prioridades definidas pelo presidente e traz o posicionamento dos principais generais e almirantes do país.

Presidente do Irã diz que continuar guerra com EUA não traz vantagens

Contexto da guerra

O presidente Donald Trump tem pressionado o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e aceitar condições impostas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito. Ele afirma que todas as alternativas seguem em aberto, inclusive uma nova ofensiva militar.

Por causa disso, o Comando Central dos Estados Unidos mantém, há meses, mais de 50 mil militares em alerta no Oriente Médio, prontos para agir caso o presidente ordene novos ataques. O conflito já dura cerca de seis meses e é descrito por uma fonte ouvida pelo Washington Post como excessivo tanto em intensidade quanto em duração. Ciente da impopularidade da guerra entre os americanos e do desgaste imposto ao arsenal dos Estados Unidos, o Irã tem se recusado a ceder.

O documento de 14 de agosto registra que parte das tropas destacadas para o Oriente Médio deve permanecer na região até setembro, enquanto outro contingente seguirá mobilizado até 2027.

EUA atacam ilha do Irã após um mês de calma, e Teerã promete revidar

Posições dos comandos militares

Os responsáveis pelo Comando Europeu, pelo Comando do Pacífico e pelo Comando Sul, além do chefe de operações navais, registraram no SDOB um “non-concur”, classificação usada quando um comandante discorda de uma ordem, mas mesmo assim se compromete a executá-la.

Os comandantes do Comando Europeu e do Comando Sul alertaram ainda que ceder navios e aeronaves de vigilância ao Comando Central prejudicou a capacidade de cumprir obrigações de defesa do próprio território americano.

Já as lideranças do Exército e da Força Aérea concordaram em estender suas forças no conflito, ainda que apontando riscos consideráveis.

Marinha

O relato do almirante Daryl Caudle, chefe de Operações Navais, foi o mais preocupante. Segundo ele, a Marinha não tem condições de manter o atual nível de apoio à guerra no Irã, já que não existe previsão de término do conflito. Além disso, apenas cerca de um quarto da frota de contratorpedeiros está em condições de ser empregada, um recuo expressivo em relação ao período anterior à guerra.

A Marinha forneceu dezenas de embarcações para a campanha no Irã, inicialmente para participar dos ataques e se defender de contra-ataques iranianos e, nos últimos meses, para reforçar o bloqueio aos portos do país imposto por Trump. O período de missão de diversos navios e tripulações foi estendido em vários meses.

O documento aponta ainda que, se as exigências da operação continuarem no ritmo atual, a manutenção das embarcações pode comprometer a disponibilidade da frota diante de eventuais novos conflitos.

O almirante Samuel Paparo, à frente do Comando do Pacífico, discordou do volume de apoio que foi orientado a fornecer de forma contínua, incluindo um grupo de ataque liderado por porta-aviões e contratorpedeiros.

Aliados dos Estados Unidos na região alertaram que a redução nos estoques de mísseis e sistemas de defesa aérea, provocada pelo conflito no Irã, os deixa mais vulneráveis à China.

Segundo o Washington Post, o único porta-aviões da Marinha dedicado ao Pacífico foi deslocado para o Oriente Médio, substituindo outra embarcação que já estava em operação havia mais de 300 dias.

Irã já executou mais de 500 pessoas em 2026, aponta ONG

Exército e Força Aérea

Parte da 82ª Divisão Aeroterrestre, mobilizada desde março com dois mil soldados, terá o tempo de missão ampliado para um ano completo, segundo carta assinada pelo general Brandon Tegtmeier, comandante da divisão, que reconhece o peso adicional às famílias dos militares. Essas tropas seriam essenciais em uma eventual invasão terrestre ao Irã.

As unidades responsáveis pelos sistemas de defesa aérea Patriot, usados para interceptar mísseis e drones direcionados a bases americanas, também devem ter suas missões prorrogadas. O mesmo vale para boa parte das unidades da Força Aérea enviadas ao Oriente Médio para bombardeios e outras operações contínuas, que devem seguir na região até 2027.

Outros recursos e perdas

A redução no estoque de interceptadores Patriot, associada tanto à guerra no Irã quanto a doações anteriores enviadas à Ucrânia, tem limitado a capacidade do governo americano de intensificar ainda mais o conflito.

O Washington Post aponta ainda que a guerra reduziu os estoques de interceptadores do sistema de defesa THAAD e de mísseis de longo alcance Tomahawk. Cerca de 25% da frota de drones Reaper também foi perdida, e as bases americanas na região sofreram danos estimados em bilhões de dólares. O governo Trump nega que haja escassez real de munições.

Alertas anteriores

Antes do início das hostilidades, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, já havia avisado a Casa Branca de que os Estados Unidos não contavam com munição suficiente nem com apoio adequado de aliados para sustentar uma campanha prolongada.

Mais recentemente, o general Alexus Grynkewich, responsável pelo Comando Europeu, alertou o Pentágono de que não dispunha de forças navais suficientes para proteger tanto Israel quanto o território americano de ataques com mísseis.

Aprovação de Trump fica em 33% e apoio à guerra com Irã recua para 31%

Resposta do Pentágono

Em nota ao Washington Post, o porta-voz de Hegseth, Sean Parnell, afirmou que as decisões sobre o volume e a duração do envio de forças aos comandos combatentes levam em conta avaliações de ameaça, prioridades estratégicas definidas pelo presidente e recomendações do chefe do Estado-Maior Conjunto e dos comandantes envolvidos.

Parnell disse ainda que o Pentágono não comenta processos operacionais internos, incluindo o conteúdo do Secretary of Defense Orders Book, nem detalha concordâncias ou discordâncias apresentadas pelos comandos durante as deliberações sobre alocação de forças.

 

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais