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Himalaia enfrenta risco de novas inundações glaciais, alerta ONU

No futuro, produção de energia elétrica e áreas habitadas nas margens de rios podem ser comprometidas

Homem caminha de costas por um leito de lama e detritos, segurando um par de sandálias na mão, com prédios coloridos danificados e vegetação densa ao fundo.
Morador caminha por rua coberta de lama após enchente e deslizamento em Devighat, no distrito de Nuwakot (Crédito: Prakash Mathema/AFP)

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<li>A região do Himalaia enfrenta riscos crescentes de novas inundações provocadas por geleiras, segundo alerta de autoridade de alto escalão da ONU.</li>
<li>O número de mortos na enchente da semana passada no Nepal, causada pelo rompimento de uma geleira, já passou de 1.000.</li>
<li>A energia hidrelétrica que abastece parte da população está ameaçada, e trechos de margens de rios habitados por milhões de pessoas podem se tornar inabitáveis.</li>
<li>Segundo Kanni Wignaraja, secretária-geral adjunta da ONU, a tecnologia ainda não avança rápido o suficiente para evitar perdas nos sistemas fluviais que recebem o transbordamento dos lagos glaciais.</li>
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A região do Himalaia enfrenta sérios riscos de novas inundações provocadas por geleiras, alertou uma autoridade de alto escalão da ONU. O alerta ocorre no momento em que o número de mortos na enchente da semana passada no Nepal, causada pelo rompimento de uma geleira, passou de 1.000.

A energia hidrelétrica que abastece boa parte da população está ameaçada. Além disso, trechos inteiros de margens de rios, onde vivem milhões de pessoas, podem se tornar praticamente inabitáveis.

“A tecnologia não avança rápido o suficiente para evitar perdas ao longo desses enormes sistemas fluviais que recebem o transbordamento dos lagos glaciais”, disse Kanni Wignaraja, secretária-geral adjunta da ONU, em entrevista à Reuters.

Número de mortos por inundações no Nepal e Tibete passa de 1000

Em 2020, pesquisadores mapearam 47 lagos glaciais com potencial de risco no Nepal, na China e na Índia. A estimativa é de que o número atual seja bem maior.

Segundo Wignaraja, que também comanda a diretoria regional para a Ásia e o Pacífico no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a população exposta ao risco chega a milhões de pessoas. Ela mencionou um levantamento atualizado feito pelo Pnud e por entidades parceiras em junho.

A enchente da semana passada no Nepal teve início quando blocos de uma geleira próxima ao cume da montanha Langtang Lirung se desprenderam e caíram no vale, provocando um deslizamento que gerou uma onda de cheia no rio Trishuli.

As enchentes causadas pelo rompimento de lagos glaciais seguem uma dinâmica diferente. Elas acontecem quando a água do degelo se acumula atrás de uma barreira natural, até que a pressão provoque o rompimento ou o transbordamento, gerando uma cheia repentina rio abaixo.

Autoridades da ONU afirmam que as duas ameaças vêm crescendo, à medida que as mudanças climáticas aceleram o degelo das geleiras na região, o que solta rochas e aumenta a pressão sobre as barreiras dos lagos glaciais.

As montanhas da região também são relativamente jovens, segundo Wignaraja, o que as torna mais vulneráveis a movimentos tectônicos capazes de provocar o colapso repentino de geleiras ou de barreiras de lagos.

Pesquisadores já identificaram lagos glaciais de risco em boa parte da região do Hindu Kush.

Alerta de última hora salvou mais de 900 alunos de tragédia no Nepal

Wignaraja afirmou ainda que nenhum país da região depende tanto das geleiras quanto o Nepal, seja para o abastecimento de água, seja para a geração de renda. O país agora enfrenta escolhas muito difíceis. Para boa parte da população que vive às margens dos rios, mudar-se para áreas mais altas pode não ser financeiramente viável.

A infraestrutura essencial também deve seguir vulnerável. A perda na produção de energia no Nepal pode ser maior do que apontam algumas avaliações. Segundo o Pnud, a enchente destruiu 15 grandes usinas em construção, além de outras que já estavam em operação.

Wignaraja disse que redes elétricas e usinas hidrelétricas poderiam ganhar mais resistência a enchentes com o uso de novas tecnologias.

Mas a “onda gigante de lama e gelo” da semana passada teria superado a maior parte das defesas existentes. “Não há nenhuma obra que pudesse ter impedido isso“, afirmou ela.

 

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