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Alemanha identifica suspeitos russos de ataque com drone em Leipzig

País também investiga dois novos casos suspeitos de sabotagem em usinas e linhas de transmissão

Funcionário de colete refletivo em cima de escada de embarque de avião de carga, com paletes cobertos por lona sendo transportados no pátio, e pessoa com uniforme da Cruz Vermelha Alemã em primeiro plano, de costas.
Aeroporto de Leipzig é um importante centro logístico na Alemanha (Crédito: Reprodução/Mitteldeutsche Flughafen AG)

Vestígios de DNA analisados pela polícia da Alemanha indicaram dois homens com passaporte russo que podem ter levado um drone com explosivos ao aeroporto de Leipzig em agosto. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (2) por três veículos de imprensa alemães e reproduzida pela AFP.

A Alemanha havia anunciado na terça-feira (1°) represálias contra a Rússia, responsabilizada pela tentativa de ataque no início do mês passado. O aeroporto de Leipzig é uma base logística importante tanto para as Forças Armadas alemãs quanto para a Otan.

De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung e as emissoras públicas regionais NDR e WDR, o primeiro suspeito é um bielorrusso que também tem passaporte russo. Ele teria ingressado no espaço Schengen com visto de turista emitido pela Itália em Minsk, e possui um histórico de infrações cometidas em países bálticos.

O segundo suspeito, segundo o NDR e o WDR, possui passaportes da Letônia e da Rússia. O jornal Süddeutsche Zeitung informa que ele nasceu em território russo. As apurações indicam que ele seria o responsável pela organização logística do ataque.

Ainda de acordo com essas fontes, esse segundo homem chegou à Alemanha pelo aeroporto de Berlim no fim de julho e alugou um veículo para se deslocar até a região de Leipzig, no leste do país. Ele teria deixado o território alemão dois dias antes do suposto ataque com drone.

A identificação dos dois suspeitos foi possível graças a material genético encontrado pela polícia científica em três pontos: o próprio drone, uma lata de conservas com explosivos e uma antena presa a uma árvore. Bancos de dados europeus e informações de inteligência reforçaram as suspeitas contra os dois homens, de acordo com a imprensa alemã.

O drone havia sido localizado perto de aeronaves de carga ucranianas. Minutos depois, um segundo artefato teria atingido um avião da empresa DHL. A imprensa alemã relata ainda a descoberta posterior de um terceiro drone perto do aeroporto, também com indícios de substâncias explosivas.

O presidente russo, Vladimir Putin, classificou o episódio como um “outro erro” da Alemanha, país que se consolidou como o principal financiador da Ucrânia. Moscou também informou ter convocado, no mesmo dia, o encarregado de negócios alemão na capital russa.

Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, governos da Alemanha e de outros países europeus atribuem ao Kremlin ações de espionagem, sabotagem e desestabilização em seus territórios.

Putin chama sanções da Alemanha por drone com explosivo de “outro erro”

União Europeia promete aumentar pressão sobre a Rússia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu nesta quarta-feira (2) intensificar a pressão sobre a Rússia, com a adoção de novas sanções, após a tentativa de ataque com drone no aeroporto de Leipzig. Segundo ela, o episódio evidencia a crescente “imprudência” de Moscou. As informações são da Reuters.

“A Europa e a Otan não apenas manterão nossa pressão sobre a Rússia; nós a aumentaremos e não vamos parar — não até que a Rússia pare de bombardear e matar crianças, homens e mulheres inocentes na Ucrânia”, disse von der Leyen em Bruxelas, após reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

“Os europeus se deparam com a dura realidade de que essa é a nova normalidade. Temos que nos mobilizar, e isso significa estar prontos para responder à imprudência da Rússia de forma mais rápida e eficaz”, acrescentou a presidente da Comissão Europeia.

A extensão das novas sanções ainda não foi detalhada. A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que o bloco trabalha em medidas voltadas ao complexo militar russo. Já o ministro das Relações Exteriores da França defendeu ações contra a chamada “frota fantasma” russa, formada por navios acusados de driblar as sanções ao setor energético.

O secretário-geral da Otan declarou que mais drones e mísseis invadiram o espaço aéreo da organização no flanco oriental da Europa, além de um aumento nas atividades maliciosas atribuídas à Rússia, incluindo o episódio em Leipzig. “Se a Rússia acha que seremos divididos pela ameaça, ou se acha que seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia, está enganada”, afirmou.

A UE e diversos países membros convocaram representantes da embaixada russa. A Alemanha, por sua vez, anunciou o fechamento do consulado-geral da Rússia em Bonn e o rompimento do acordo com o centro cultural “Casa Russa”, em Berlim.

“É óbvio que a Rússia não percebe o custo político de suas atividades híbridas contra nós. Portanto, para eles, essa é a maneira mais barata de criar tensões em nossa sociedade”, disse o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, durante reunião de chanceleres na Irlanda.

Otan diz que vai defender aliados após Alemanha acusar Rússia de ataque

Alemanha investiga outras suspeitas de sabotagem

A Alemanha apura ainda dois novos casos suspeitos de sabotagem registrados em um intervalo de 24 horas, segundo informações da Reuters. Um deles envolve um ato de vandalismo em uma subestação no estado da Renânia do Norte-Vestfália, no oeste do país, que provocou a desconexão de usinas termelétricas a lignito com capacidade combinada de 4.200 megawatts.

Também na terça-feira (1º), dispositivos com material condutor danificaram linhas de transmissão em um ponto de conexão de alta tensão considerado crítico no estado de Brandemburgo, no leste alemão.

Nenhum suspeito foi identificado até o momento. O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália afirmou que não descarta a atuação de potências estrangeiras ou de grupos extremistas de esquerda.

Já o ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, disse haver semelhanças entre os dois ataques, mas ponderou que as investigações ainda estão em fase inicial.

Os episódios ocorrem em um momento político sensível para a Alemanha, às vésperas de eleições estaduais que têm o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), favorável a laços mais próximos com Moscou, na liderança das pesquisas.

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