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Otan diz que vai defender aliados após Alemanha acusar Rússia de ataque

Drone russo carregado de explosivos foi encontrado em aeroporto estratégico alemão no início de agosto

Aviões de diferentes companhias aéreas estacionados no pátio do Aeroporto de Leipzig/Halle, sob céu nublado
Aeroporto de Leipzig/Halle, alvo do ataque com drone atribuído à Rússia (Reprodução/Mitteldeutsche Flughafen AG)

<ul>
<li>Alemanha atribui à Rússia ataque com drone em aeroporto e anuncia medidas diplomáticas</li>
<li>UE e Otan expressam solidariedade total à Alemanha após o episódio</li>
<li>Berlim vai fechar consulado russo em Bonn e cancelar contrato da Casa Russa</li>
<li>Governo alemão propõe novas sanções da UE e reforça controles para cidadãos russos</li>
</ul>

O governo alemão atribuiu nesta terça-feira (1°) à Rússia a responsabilidade por um “ataque híbrido” que envolveu um drone carregado de explosivos em um aeroporto estratégico do país no mês passado.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que a aliança “continuará a fortalecer sua capacidade de deter e defender todos os aliados contra qualquer ameaça”. A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco mantém “total solidariedade” com a Alemanha.

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O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, disse que, após avaliar a tecnologia do drone utilizado e outras informações de inteligência, “o governo conclui que a Rússia é responsável pelo ataque híbrido em Leipzig em 4 de agosto”.

“Não vemos o incidente de Leipzig isoladamente, mas sim no contexto de outras ações híbridas“, afirmou. “Presumimos que a Alemanha seja alvo de novos ataques híbridos por parte da Rússia.”

O país divulgou uma série de medidas diplomáticas em resposta ao ataque. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, anunciou que Berlim vai fechar o consulado russo na antiga capital Bonn ainda este mês e cancelar o contrato de aluguel da Casa Russa, um centro cultural na capital alemã.

“Estamos reforçando os controles de entrada para cidadãos russos”, declarou o chanceler, acrescentando que a Alemanha vai propor a inclusão de mais indivíduos russos nas listas de sanções da União Europeia.

O chefe da diplomacia alemã também afirmou que o país está “aumentando a pressão sobre a frota fantasma russa“, termo usado para designar embarcações antigas de propriedade incerta com as quais a Rússia driblа sanções ocidentais.

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Ataques híbridos

A Alemanha, membro da Otan que apoia a Ucrânia em sua defesa contra a Rússia, há meses acusa Moscou de conduzir uma campanha de ataques híbridos contra o território alemão, que incluiria espionagem e sabotagem. A Rússia nega as acusações.

Berlim vem relatando há meses avistamentos suspeitos de drones sobre instalações militares e industriais, mas o episódio de Leipzig elevou o alerta porque o aparelho encontrado no local carregava explosivos.

A polícia usou um robô para desarmar o dispositivo, encontrado perto de um avião de carga ucraniano. Outro drone teria sido localizado semanas depois nas proximidades do aeroporto, também com resquícios de substância explosiva.

O aeroporto, no leste da Alemanha, tem papel central no transporte de material militar, inclusive das Forças Armadas alemãs e de países aliados da Otan, além de servir de base para a companhia ucraniana Antonov Airlines.

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O chanceler Friedrich Merz afirmou mais tarde que a Alemanha “se viu na mira de agentes de ataques híbridos“.

Até então, porém, Berlim havia evitado apontar diretamente a Rússia, falando apenas em possível envolvimento de “potências estrangeiras”.

Em 25 de agosto, Merz alertou que os responsáveis pelos ataques híbridos contra a Alemanha “pagariam por eles”, sem citar um alvo específico.

Centro cultural russo

Também havia intenso debate sobre se a Alemanha deveria fechar um centro cultural russo em Berlim. A Casa Russa de Ciência e Cultura, prédio de sete andares inaugurado em 1984 na então Berlim Oriental, fica próxima à embaixada russa.

O deputado conservador e especialista em política de segurança Roderich Kiesewetter disse à emissora Welt TV que a instalação é considerada uma base de espionagem.

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Segundo ele, mais de 100 pessoas vivem no local “sem que se saiba quem são”, e o consumo de energia do prédio é incomum. Kiesewetter afirmou que a estrutura estaria “provavelmente repleta de equipamentos técnicos de vigilância” e seria usada por “pessoas que não nutrem não nutrem simpatia pela Alemanha”.

Nas últimas semanas, o governo alemão justificou a decisão de manter a Casa Russa aberta até agora citando o vínculo contratual bilateral do centro com o Instituto Goethe em Moscou.

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