Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, podem se reunir no mês que vem na China, à margem da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), informou o Kremlin nesta segunda-feira (19). O governo russo disse ainda que a hipótese de um encontro entre os três foi levantada em negociações.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, falou sobre o assunto ao ser questionado a respeito de uma reportagem do Wall Street Journal. O jornal americano afirmou que Putin havia sugerido a reunião para discutir formas de encerrar a guerra na Ucrânia.
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“Considerando que os três chefes de Estado podem, potencialmente, participar da cúpula na China, o assunto dessa hipotética reunião foi de fato levantado. Foi levantado, mas nenhuma proposta ou acordo específico foi discutido ou apresentado por ninguém, seja em relação à reunião em si, seja à possível pauta e ao conteúdo dessa reunião”, disse Peskov.
Também nesta segunda-feira, Trump afirmou estar aberto a participar de uma reunião trilateral com Xi e Putin. Segundo o presidente americano, a conversa poderia ter como foco a desnuclearização.
A possibilidade de uma reunião entre os três líderes já havia sido mencionada pelo Kremlin em 1º de setembro. Na ocasião, o assessor de política externa Yuri Ushakov foi questionado sobre o tema em entrevista à TV estatal russa e confirmou que o assunto tinha sido discutido.
“E se tudo ocorrer conforme foi dito, então os três poderão realizar uma reunião”, afirmou Ushakov à época. Ele estava em Bishkek, capital do Quirguistão, onde Putin e Xi participavam de um encontro da Organização de Cooperação de Xangai.
Ainda nesta segunda-feira, o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, se posicionou contra a ideia em publicação no X. “Uma reunião trilateral entre os líderes da Ucrânia, dos EUA e da Rússia poderia ajudar a pôr fim à guerra mais cedo. Uma reunião trilateral entre os líderes da Rússia, da China e dos EUA teria exatamente o efeito oposto: encorajaria Putin a continuar essa guerra”, escreveu.
Em sua teleconferência diária com jornalistas, Peskov afirmou que os Estados Unidos seguem atuando como mediadores do conflito e que a Rússia reconhece esse trabalho. Ele acrescentou ser evidente que Kiev precisará participar de qualquer acordo de paz definitivo.
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“É claro que um acordo final é impossível sem a participação de alguém em Kiev que esteja disposto a assumir a responsabilidade”, declarou o porta-voz.
Negociações paradas e cessar-fogo abandonado
A rodada mais recente de negociações mediadas por Washington aconteceu em fevereiro, antes de Estados Unidos e Israel entrarem em guerra contra o Irã. As posições de Ucrânia e Rússia sobre os termos de um eventual acordo de paz continuam tão distantes quanto antes.
No último dia 11, Trump anunciou que Rússia e Ucrânia haviam aceitado um “cessar-fogo energético”, que suspenderia os ataques contra alvos de energia. Nos dias seguintes, no entanto, Moscou manteve os bombardeios com mísseis e drones, que atingiram inclusive usinas e deixaram centenas de milhares de pessoas sem eletricidade.
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Na quinta-feira (15), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Kiev não apoiava mais a trégua, por considerar que a Rússia a havia ignorado. No mesmo dia, drones ucranianos atingiram uma refinaria da estatal Rosneft na região de Ryazan, a sudeste de Moscou.
*Com informações da Reuters
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