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Christine Lagarde renuncia à presidência do Banco Central Europeu

Ela deixa o cargo em fevereiro, antes da eleição na França; Knot e De Cos são cotados para a sucessão

Christine Lagarde, de cabelos grisalhos curtos, veste um blazer escuro e brincos de pérola. Sentada, ela apoia a mão no queixo e olha para o lado, com expressão pensativa, diante de um fundo azul desfocado durante um evento.
Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, vai deixar o cargo (Reprodução/Wikimedia Commons)

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (29), depois de meses de especulação sobre o futuro dela. Com isso, Lagarde vai deixar o posto em 7 de fevereiro, antes do fim do mandato, previsto para outubro de 2027.

“Deixo esta instituição com a sensação de um bom trabalho realizado e de um BCE preparado para o futuro”, disse Lagarde, de 70 anos, em um vídeo publicado nas redes sociais.

Por que ela saiu

Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, Lagarde, que já foi ministra das Finanças da França e diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), renunciou para poder se posicionar sobre questões políticas na França e no mundo.

Isso porque, no BCE, ela precisava manter neutralidade para preservar a independência da instituição.

Além disso, a data da saída dá aos atuais líderes da União Europeia tempo para escolher o sucessor antes da eleição presidencial na França, em que as pesquisas indicam a candidata de extrema direita Marine Le Pen como favorita.

Ainda assim, Lagarde afirmou que não será candidata. Segundo ela, o plano é defender os valores pró-europeus no país “na função que considerar mais eficaz”.

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Reações

A saída antecipada, no entanto, dividiu opiniões. Para o deputado alemão Markus Ferber, do Parlamento Europeu, a renúncia enviou “o sinal errado”, em meio à inflação alta e à instabilidade no mercado de títulos.

“Se surgir a impressão de que essa saída foi programada para coincidir com as eleições nacionais, isso prejudica a confiança em uma instituição que deve estar acima de qualquer cálculo político interno”, afirmou.

Por outro lado, Marcel Fratzscher, presidente do centro de estudos alemão DIW, disse que Lagarde demonstrou “um forte senso de responsabilidade para com a Europa”. Segundo ele, a saída antecipada permite que os governos escolham um sucessor que proteja a independência do banco.

Quem pode substituí-la

Segundo o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a escolha do sucessor começa imediatamente. Até agora, os ex-presidentes dos bancos centrais da Holanda, Klaas Knot, e da Espanha, Pablo Hernández de Cos, são apontados como os principais candidatos.

Mesmo assim, os mercados reagiram pouco ao anúncio.

“Os sucessores cogitados são ambos banqueiros centrais muito competentes e bem estabelecidos; portanto, para os mercados, isso não fará muita diferença”, afirmou Piet Haines Christiansen, economista do Danske Bank.

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Juros na zona do euro

A renúncia ocorre em meio a um ciclo de alta de juros no BCE. Na prática, o banco tenta evitar que a alta do petróleo, provocada pela guerra no Irã, se espalhe para outros preços e salários.

Ao mesmo tempo, o aumento dos juros dos títulos públicos, principalmente na França, encarece o crédito para famílias e empresas.

Ainda nesta quinta-feira, o BCE anuncia às 10h15 (horário de Brasília) a decisão sobre os juros. Por enquanto, a expectativa é que o banco mantenha a taxa de depósito em 2,5% e indique uma nova alta, possivelmente em dezembro.

(Com informações da Reuters)

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