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Ucrânia, Rússia e EUA terão negociação de paz em Abu Dhabi

Reunião será nos dias 10 e 11 de novembro; após o fim de trégua, ataque russo mata ao menos 26 em Zaporizhzhia

Uma mulher com uma criança passa em frente ao danificado prédio da Administração Municipal e Regional de Kharkiv, em Kharkiv, em 20 de outubro de 2026, em meio à invasão russa da Ucrânia
Uma mulher com uma criança passa em frente ao danificado prédio da Administração Municipal e Regional de Kharkiv, na Ucrânia (TETIANA DZHAFAROVA/AFP)

Representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos vão se reunir na próxima semana em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para tentar avançar nas negociações de paz. O anúncio foi feito na segunda-feira (2) por Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump.

“Os Estados Unidos mediarão negociações de nível técnico entre Ucrânia e Rússia nos dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, dando continuidade à missão do presidente [Donald] Trump de pôr fim à guerra”, escreveu Witkoff no X.

Até agora, porém, os esforços de Trump para encerrar o conflito não deram resultado. O anúncio ocorre logo depois do fim de um cessar-fogo local na região de Kherson, no sul da Ucrânia. A trégua, negociada pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump, permitiu uma missão humanitária na cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia.

Ela começou na terça-feira passada e terminou no domingo (1º). Durante esse período, nenhum dos lados denunciou claramente violações. Foi a pausa mais longa nos combates desde o início da guerra, que já entra no quinto ano.

Fim da trégua

Horas depois do fim da trégua, no entanto, a Rússia retomou os ataques em Kherson. Além disso, bombardeou repetidamente uma localidade da região vizinha de Zaporizhzhia, matando pelo menos 26 pessoas.

Segundo o governador regional interino, Mikhailo Semikin, entre os mortos estão um policial e dois socorristas. Imagens dos serviços de emergência mostram um prédio reduzido a escombros.

“A ajuda humanitária foi distribuída ali. Após o primeiro ataque com uma bomba aérea, ocorreu um segundo ataque, com outras novas bombas, direcionado especificamente contra o abrigo onde as pessoas tinham se refugiado”, afirmou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que classificou os ataques como “absolutamente horríveis”.

Segundo ele, a trégua em Oleshky mostrou que um avanço rumo à paz era possível.

“Com esse massacre, a Rússia envia um sinal completamente oposto: aposta em novos assassinatos. Haverá uma resposta”, disse.

Segundo uma fonte do alto escalão ucraniano ouvida pela AFP, a Rússia rejeitou uma proposta da Ucrânia para prorrogar a trégua. Além disso, o Exército ucraniano acusa Moscou de ter aproveitado a pausa para “reforçar suas posições”. O Kremlin não negou.

“É uma prática completamente normal nesse tipo de situação”, disse o porta-voz Dmitry Peskov.

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Exercício na Polônia

Enquanto isso, cerca de 2.800 soldados de dez países europeus vão fazer, entre 9 e 22 de novembro, o primeiro exercício de uma nova força multinacional de apoio à Ucrânia, anunciaram o Reino Unido e a França nesta terça-feira (3).

Liderada pelos dois países, a Força Multinacional – Ucrânia (MNF-U) só vai entrar em ação depois de um cessar-fogo e não tem missão ofensiva. A força não faz parte da Otan e tem pouca participação dos EUA.

O exercício, chamado Koalicja (“Coalizão”, em polonês), vai ocorrer perto da cidade de Nowa Deba, no sudeste da Polônia, a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Ucrânia. A França vai enviar o maior grupo, com 1.100 soldados, e o Reino Unido, 300.

Também participam tropas da Alemanha, da Bélgica, da Espanha, da Estônia, da Holanda, da Lituânia, da Polônia e da Suécia. Segundo os organizadores, os militares vão usar apenas equipamentos leves, como drones, sem tanques.

“Este não é um plano hipotético, é uma força real, pronta para ajudar a Ucrânia assim que os combates cessarem”, afirmou o ministro da Defesa do Reino Unido, Wes Streeting.

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