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Melania Trump consegue cessar-fogo em cidade ucraniana; Kremlin confirma

Trégua em Oleshky, ocupada pela Rússia, deve permitir entrada de ajuda humanitária e retirada de civis, diz Casa Branca

Mulher de cabelos longos castanho-claros, vestindo terno rosa-claro, fala ao microfone atrás de um púlpito com o selo do presidente dos Estados Unidos. Ao fundo, cortina dourada, a bandeira americana e a bandeira presidencial.
Primeira-dama dos EUA negociou cessar-fogo para levar ajuda humanitária a Oleshky | Imagem de arquivo (Crédito: Andrea Hanks/Casa Branca)

A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, conseguiu um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia restrito a Oleshky, cidade ucraniana ocupada por forças russas. O anúncio foi feito pela Casa Branca nesta sexta-feira (23).

Pelo acordo, os dois países vão suspender as operações militares na cidade para permitir a entrada de ajuda humanitária e organizar a retirada de civis por um corredor seguro. Segundo Washington, a trégua começa em 29 de outubro, mas não há informação sobre quanto tempo ela vai durar.

O Kremlin confirmou o cessar-fogo mediado pelos EUA também nesta sexta-feira. O porta-voz Dmitry Peskov disse que todos os civis que quiserem deixar Oleshky terão autorização para sair.

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Segundo Peskov, a retirada deve levar pelo menos alguns dias. Ele elogiou a atuação de Melania e contou que o tema foi discutido em um telefonema recente entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente americano, Donald Trump.

“Saudamos os esforços da primeira-dama dos Estados Unidos, a Sra. Melania Trump, que deu uma contribuição significativa para a coordenação da operação humanitária”, disse o porta-voz.

O chefe do Estado-Maior russo, general Valeri Gerasimov, afirmou que as tropas do país vão respeitar a trégua a partir das 22h de segunda-feira (26), no horário de Brasília, antes da data indicada pela Casa Branca. Ele não informou a extensão da área nem por quanto tempo o cessar-fogo vai valer.

Do lado ucraniano, as Forças Armadas afirmaram que vão colaborar com a missão humanitária em Oleshky, sem citar diretamente o cessar-fogo. Em publicação no Telegram, o Exército disse que vai assegurar o cumprimento das decisões do comandante supremo, função exercida pelo presidente Volodymyr Zelensky.

De acordo com a Casa Branca, Melania e um representante dela negociaram diretamente com os governos dos dois países os objetivos, os procedimentos técnicos e os prazos do acordo.

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Pelo plano descrito pela primeira-dama, líderes civis russos e ucranianos vão visitar os moradores em casa para avaliar de que ajuda cada um precisa. Quem quiser sair vai receber transporte até o destino de sua escolha. A primeira-dama disse acreditar que parte dos moradores vai preferir a Rússia e parte, a Ucrânia.

Melania afirmou ainda que uma organização de mídia americana, que ela classificou como imparcial, vai acompanhar e registrar o trabalho das equipes em campo. Segundo ela, isso vai ajudar a garantir que a vontade de cada família seja respeitada.

A primeira-dama soube da situação de Oleshky em uma conversa reservada durante um evento promovido por ela em Nova York, paralelo à 81ª Assembleia Geral da ONU. Ela disse ter usado o canal de comunicação aberto com os dois países em seis operações de reunificação familiar, que envolveram 34 crianças.

Oleshky enfrenta grave crise humanitária

Oleshky fica no sul da Ucrânia, na região de Kherson. A cidade foi tomada pelas forças russas em fevereiro de 2022 e, desde então, permanece na linha de frente da guerra. De acordo com informações da Reuters, tropas ucranianas pretendem retomá-la.

Antes do conflito, cerca de 24 mil pessoas viviam ali. Hoje restam aproximadamente 1.700 moradores, entre eles 47 crianças, segundo Danielle Bell, chefe da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia. A Casa Branca afirma que a maioria é formada por idosos que não conseguiram deixar a cidade.

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“A situação em Oleshky é desesperadora. Oleshky é uma cidade na linha de frente da guerra, à beira do desastre”, afirmou Melania. Segundo ela, os moradores precisam com urgência de atendimento médico, remédios, comida e água potável, têm acesso limitado à energia elétrica e convivem com estradas minadas e ataques frequentes.

Com a destruição de uma grande barragem no rio Dnipro em 2023, cerca de 90% do território de Oleshky ficou alagado. O rio separa Oleshky de Kherson, capital da região. Moradores relatam o agravamento da falta de alimentos, e Rússia e Ucrânia se acusam mutuamente de impedir a chegada de suprimentos.

Papa também negociava trégua

Antes do anúncio da Casa Branca, o papa Leão XIV já vinha conversando com os dois países sobre Oleshky. Em 16 de outubro, ele telefonou para Putin e pediu um cessar-fogo que viabilizasse o envio de comida e ajuda humanitária à cidade, informou o Vaticano.

Naquele dia, o pontífice, de 71 anos, estava internado em um hospital em Roma, se recuperando de uma cirurgia para retirar um câncer de pulmão. Depois da conversa, Moscou disse que Putin aceitou colaborar com a chegada de suprimentos, sem citar uma trégua. Segundo o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, a iniciativa partiu do próprio papa.

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Em 19 de outubro, Leão XIV conversou por telefone com Zelensky e pediu que os dois países cooperassem para garantir a entrega de alimentos e ajuda médica, além da retirada voluntária e segura dos civis. Na ocasião, o presidente ucraniano não divulgou comunicado sobre a conversa.

Negociações de paz devem ser retomadas em novembro

Também nesta sexta-feira, Zelensky afirmou que negociadores da Ucrânia, da Rússia e dos EUA aceitaram se reunir em Abu Dhabi na primeira quinzena de novembro. O encontro será técnico, e o presidente ucraniano disse esperar que ele abra caminho para uma reunião entre os líderes dos três países.

Zelensky contou ter conversado nesta sexta com os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff, que estiveram com Putin no início da semana. Segundo ele, qualquer acordo de paz vai exigir garantias de segurança sólidas para a Ucrânia e financiamento do Exército do país por dez anos.

Em videoconferência com o Hudson Institute, centro de estudos dos EUA, o presidente disse que muito depende da Rússia e lembrou que uma reunião parecida, prevista para outubro, não aconteceu. Ele também defendeu a participação da Europa nas negociações.

*Com informações da Reuters e da AFP

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