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Processo de impeachment de presidente do Paraguai é julgado nesta sexta

Santiago Peña permanece no cargo após Congresso paraguaio suspender análise de sua renúncia

Senado do Paraguai retomou a sessão nesta quinta-feira (5) para analisar o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. | Reprodução/Redes sociais
Senado do Paraguai retomou a sessão nesta quinta-feira (5) para analisar o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. | Reprodução/Redes sociais

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta nesta sexta-feira (6) um julgamento de impeachment no Senado, em meio à crise do Ueno Bank, que deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso aos depósitos. Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira (5), mas permanece provisoriamente no cargo.

O Congresso suspendeu a análise da renúncia enquanto avança o processo de impeachment. O julgamento está previsto para começar às 10h, no mesmo horário de Brasília.

+ Da crise à renúncia: entenda o que levou Santiago Peña a deixar o poder

A crise também levou milhares de pessoas às ruas de Assunção e de outras cidades pelo terceiro dia consecutivo. Os manifestantes cobram a devolução do dinheiro depositado no Ueno Bank e o julgamento do presidente.

Segundo a polícia, cerca de 5 mil pessoas se concentraram nos arredores do Congresso, onde houve confrontos entre jovens e agentes de segurança.

Quase três milhões de pessoas, o equivalente a aproximadamente metade da população paraguaia, ficaram sem acesso aos recursos mantidos no banco.

Peña apresentou renúncia na quinta-feira

Peña anunciou que deixaria o cargo pouco depois do meio-dia de quinta-feira, após perder apoio dentro do próprio partido no Congresso.

“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia (…) Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, afirmou em vídeo publicado no X.

O presidente disse ainda que sua prioridade é “a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias” ao sistema financeiro do país.

Poucos minutos depois, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura de um julgamento de impeachment contra Peña. Os parlamentares rejeitaram, porém, a abertura de processo semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana, que é o sucessor constitucional.

+ Ministério Público do Paraguai abre investigação contra Santiago Peña

Durante a tarde, uma sessão conjunta do Congresso que analisaria a renúncia de Peña foi suspensa por falta de quórum. A maioria dos deputados governistas deixou o plenário quando a votação caminhava para a rejeição do pedido de renúncia.

A oposição defendia a continuidade do impeachment para impedir que a saída voluntária do presidente encerrasse o processo político. Parte da base governista, por outro lado, pretendia aceitar a renúncia para acelerar a posse de Alliana.

Após a definição sobre o impeachment, Peña afirmou que comparecerá ao Senado para exercer seu “direito de defesa”.

Em meio à crise, o ministro do Interior, Enrique Riera, também renunciou ao cargo.

Peña pede mais 72 horas para preparar defesa

Após a abertura do processo, Peña afirmou no X que pediu uma prorrogação de 72 horas para exercer sua defesa.

Segundo o presidente, ele foi notificado às 22h15 e recebeu um documento de acusação acompanhado de cerca de 300 páginas de anexos. Peña criticou o prazo dado para responder ao processo.

“Pedi uma prorrogação de 72 horas para exercer minha defesa. Fui notificado às 22h15 com uma acusação e cerca de 300 páginas de anexos, e pretendem que eu responda em menos de 12 horas. Isso não é devido processo”, afirmou.

Na mesma publicação, Peña disse que pretende apresentar sua versão sobre as acusações à população.

“Vou expor minha verdade diante de toda a população, ainda que ela seja incômoda para muitos atores políticos. Nunca vou fugir do meu compromisso com as pessoas, muito menos nos momentos difíceis”, declarou.

Em meio à crise, o ministro do Interior, Enrique Riera, também renunciou ao cargo.

Acusação aponta conflito de interesses

O processo está ligado à crise iniciada na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai (BCP) interveio no Ueno Bank devido a uma grave insuficiência de capital.

Além dos depósitos dos clientes, recursos pertencentes a órgãos públicos também foram congelados.

Peña, que foi ministro da Fazenda e assumiu a Presidência em 2023 para um mandato até 2028, possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank. Ele se desfez da participação em 2025.

Deputados da oposição reuniram as assinaturas necessárias para acusá-lo de conflito de interesses. O grupo afirma que decisões regulatórias e a concentração de recursos previdenciários no banco teriam beneficiado a instituição.

“Aqui foi montado um esquema criminoso que se dedicou a esvaziar um banco com a proteção de instituições que ele controlava como presidente da República”, acusou o deputado opositor Raúl Benítez durante a apresentação do processo.

A afirmação integra a acusação apresentada pela oposição e será discutida no julgamento de impeachment.

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Procuradoria abre investigação contra Peña

Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral do Paraguai anunciou a abertura de uma investigação penal contra o presidente por “fatos relacionados à supervisão e liquidação do Ueno Bank S.A. e à aplicação de recursos públicos nesta instituição”.

Após a intervenção no banco, Peña também exigiu a saída do presidente do Banco Central e promulgou uma lei estabelecendo prazo de cinco dias úteis para a devolução da maior parte dos recursos aos clientes.

A paralisação dos serviços, porém, continua afetando correntistas.

Nadia González, de 26 anos e mãe de três filhos, afirmou à AFP que aguardava a liberação de um crédito imobiliário quando a crise começou.

“O Ueno aprovou um empréstimo para nossa primeira casa, mas nunca liberaram”, afirmou. “Agora, não temos onde morar.”

O julgamento de impeachment no Senado ocorre enquanto o Paraguai tenta solucionar tanto a crise política quanto a situação dos milhões de clientes que continuam sem acesso integral ao dinheiro depositado no Ueno Bank.

*com informações da AFP

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