Uma nova legislação aprovada na quinta-feira reconheceu o Monte Taranaki, conhecido como Taranaki Maunga em sua língua Māori, como uma entidade legal, conferindo-lhe todos os direitos e responsabilidades de uma pessoa. Essa decisão é parte de um movimento mais amplo na Nova Zelândia, onde características naturais, como rios e terras sagradas, já foram reconhecidas como […]
Uma nova legislação aprovada na quinta-feira reconheceu o Monte Taranaki, conhecido como Taranaki Maunga em sua língua Māori, como uma entidade legal, conferindo-lhe todos os direitos e responsabilidades de uma pessoa. Essa decisão é parte de um movimento mais amplo na Nova Zelândia, onde características naturais, como rios e terras sagradas, já foram reconhecidas como pessoas. O Taranaki, um vulcão adormecido de 2.518 metros, é um importante destino turístico e cultural, e sua personificação busca reparar injustiças históricas sofridas pelos Māori desde a colonização.
O reconhecimento legal do Taranaki Maunga, agora denominado Te Kāhui Tupua, é um passo significativo na reparação de danos causados aos Māori. O legislador Paul Goldsmith destacou que a montanha é um ancestral honrado e uma fonte de sustento físico e espiritual. A colonização resultou na perda do nome e da terra, e a nova lei visa restaurar a dignidade e os direitos associados à montanha, que foi confiscada em 1865 após rebeliões contra a Coroa britânica.
A nova entidade, que representará a montanha, será composta por quatro membros de tribos locais e quatro indicados pelo Ministro da Conservação. As responsabilidades incluem a proteção do meio ambiente e a promoção de práticas tradicionais, que foram suprimidas durante a colonização. A co-líder do partido Te Pāti Māori, Debbie Ngarewa-Packer, expressou que a montanha agora está livre das “correntes da injustiça” e que seus direitos serão utilizados para preservar sua saúde e bem-estar.
A Nova Zelândia já havia sido pioneira em reconhecer características naturais como pessoas, começando com a floresta Te Urewera em 2014 e o rio Whanganui em 2017. A nova lei foi aprovada por unanimidade no Parlamento, recebendo apoio significativo da comunidade, que celebrou com canções tradicionais. Essa aprovação ocorre em um contexto de tensões raciais, onde propostas de alteração do Tratado de Waitangi têm gerado protestos e preocupações sobre os direitos dos Māori.
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