Conversas monitoradas pela Polícia Federal revelam que o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) está sendo investigado por um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. O parlamentar teria feito indicações ao Ministério da Saúde durante o governo de Jair Bolsonaro, que poderiam ser cobradas pelo agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan. Em diálogos, […]
Conversas monitoradas pela Polícia Federal revelam que o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA) está sendo investigado por um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. O parlamentar teria feito indicações ao Ministério da Saúde durante o governo de Jair Bolsonaro, que poderiam ser cobradas pelo agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan. Em diálogos, Josimar mencionou valores específicos, como R$ 1,048 milhão e R$ 4,123 milhões, para facilitar as cobranças. Ele e outros dois deputados do PL foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção passiva e organização criminosa.
A denúncia aponta que, sob a liderança de Josimar, os deputados direcionaram recursos federais à prefeitura de São José do Ribamar (MA) em 2019, com a intenção de que Pacovan coletasse a verba posteriormente. O caso está sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que incluiu a investigação na pauta de julgamentos. Pacovan, que atuava como empresário, ficou conhecido por financiar campanhas eleitorais, embora suas operações não aparecessem nas prestações de contas, configurando crime de caixa dois. Ele foi assassinado em junho de 2024, em um caso ainda em investigação.
Além disso, a PF identificou que a esposa e o filho do ex-deputado Bosco Costa (PL-SE) também estariam envolvidos no esquema de venda de emendas. O relatório final da PF sugere que eles ajudaram a lavar dinheiro e negociar repasses. A investigação revelou que Maria Rivandete Andrade, esposa de Bosco, recebeu R$ 75 mil de Josimar, enquanto seu filho, Thales Andrade Costa, teria atuado nas negociações. A PGR denunciou nove pessoas, incluindo os três deputados, e a 1ª Turma do STF deve decidir sobre a aceitação da denúncia em 25 de fevereiro.
A PF descreveu o Maranhão como um “paraíso para desvios de emendas”, destacando a estranheza de parlamentares de outros estados, como Bosco, direcionarem grandes emendas para municípios maranhenses. Entre janeiro e agosto de 2020, os deputados, junto com outras seis pessoas e o então prefeito José Eudes Sampaio Nunes, destinaram R$ 6,6 milhões para a cidade, esperando um retorno de R$ 1,6 milhão. A investigação revelou que o mecanismo de emendas estava sendo desvirtuado, permitindo que os parlamentares recebessem de volta uma porcentagem significativa dos valores indicados.
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