Cientistas descobriram impressões de pés de um ancestral de répteis em rochas na Austrália, datadas de 356 milhões de anos, o que sugere que os amniotes, grupo que inclui répteis, aves e mamíferos, surgiram 35 a 40 milhões de anos antes do que se pensava. Essa descoberta, publicada na revista Nature, indica que a transição de animais aquáticos para terrestres pode ter ocorrido mais rapidamente do que se acreditava. As impressões mostram características de um animal que pode ter parecido com um pequeno lagarto, com garras que o ajudavam a escalar. Essa nova evidência sugere que a diversidade de tetrapodes na época era maior do que se imaginava, incluindo formas mais avançadas. A pesquisa também destaca a importância do ovo amniótico, que permitiu que esses animais se reproduzissem em terra firme, marcando um passo importante na evolução da vida. Os pesquisadores agora querem explorar mais fósseis na Austrália e em outros continentes do sul para entender melhor a origem dos amniotes.
Impressões de pés de ancestral reptiliano encontradas em rochas de 356 milhões de anos na Austrália indicam que os amniotes, grupo que inclui répteis, aves e mamíferos, surgiram 35 a 40 milhões de anos antes do que se acreditava. A descoberta, publicada na revista *Nature*, sugere que a transição de animais do ambiente aquático para a terra ocorreu de forma mais rápida do que se pensava.
Os rastros, encontrados na Formação Snowy Plains, revelam duas séries de marcas de um animal que pode ter se assemelhado a um pequeno goanna, com cerca de 80 centímetros de comprimento. Os pesquisadores afirmam que essas impressões representam as mais antigas pegadas de répteis conhecidas. O estudo foi coautorado por Per Erik Ahlberg, professor de biologia evolutiva na Universidade de Uppsala, que expressou surpresa com a descoberta.
Reescrevendo a História Evolutiva
A nova evidência sugere que as linhagens evolutivas que levaram aos modernos tetrapodes, como répteis, aves e mamíferos, se separaram muito antes do que se pensava, possivelmente durante o período Devoniano, há cerca de 380 milhões de anos. Antes, acreditava-se que esse período era dominado por formas primitivas de tetrapodes aquáticos.
A pesquisa também destaca a importância dos amniotes na evolução, pois foram os primeiros tetrapodes a se reproduzir em terra, utilizando ovos com casca dura. Essa adaptação foi crucial para a transição de vertebrados para a vida terrestre, conforme explica Ahlberg.
Novas Perspectivas de Pesquisa
Os autores do estudo, incluindo John Long, professor de paleontologia na Universidade Flinders, enfatizam que a localização da descoberta na Austrália, parte do antigo supercontinente Gondwana, pode ser um local promissor para futuras pesquisas sobre fósseis de amniotes e seus ancestrais. Long, que estuda fósseis na região desde 1980, acredita que a diversidade de tetrapodes na época era maior do que se imaginava, incluindo formas aquáticas e terrestres coexistindo.
A descoberta das pegadas não apenas desafia as suposições anteriores sobre a evolução dos tetrapodes, mas também abre novas possibilidades para a pesquisa sobre as origens dos amniotes, sugerindo que a busca por fósseis deve se expandir para continentes do hemisfério sul, como Austrália, América do Sul e África.
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