O Brasil tem uma boa chance de se tornar um fornecedor importante de produtos agrícolas no mercado global, especialmente por causa da crise que os agricultores dos Estados Unidos estão enfrentando. André Pessôa, CEO da Agroconsult, comentou que essa situação pode abrir portas para o agronegócio brasileiro, que deve buscar parcerias duradouras e se envolver mais nas novas regras do comércio internacional. Ele lembrou que, durante a última disputa comercial entre os EUA e a China, o Brasil se beneficiou ao redirecionar suas exportações, mas agora a China está mais preparada, com estoques altos de produtos como soja e milho. Pessôa acredita que, embora o Brasil possa ver um aumento temporário nos preços, o foco deve ser em se estabelecer como um fornecedor confiável, especialmente com a perda de confiança nos EUA. Ele também destacou que a crise nos EUA e no Canadá, que enfrentam altos custos e preços baixos, pode fragilizar a concorrência. Para Pessôa, o Brasil deve aproveitar essa oportunidade para avançar em negociações e criar acordos que vão além da simples abertura de mercados, incluindo investimentos em tecnologia e sustentabilidade. Ele acredita que ainda há tempo para o Brasil formar parcerias estratégicas, especialmente na Ásia.
O Brasil se posiciona como um fornecedor estratégico de produtos agrícolas no cenário internacional, especialmente devido à guerra comercial entre Estados Unidos e China. André Pessôa, CEO da Agroconsult, destacou essa oportunidade durante evento da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em São Paulo, no dia seis de junho.
Pessôa observou que a crise de rentabilidade enfrentada pelos agricultores americanos abre espaço para o Brasil. Ele afirmou que, embora o aumento de tarifas sobre produtos dos EUA possa trazer benefícios imediatos, o foco deve ser em parcerias de longo prazo. “Não podemos ser apenas espectadores ou beneficiários passivos”, enfatizou.
O executivo lembrou que, em disputas tarifárias anteriores, o Brasil se beneficiou com o redirecionamento da demanda chinesa. No entanto, ele alertou que a China está agora mais preparada, com estoques elevados de soja, milho e carnes. “Os chineses se prepararam melhor”, afirmou Pessôa.
Oportunidades e Desafios
Apesar de prever um impacto positivo nos preços para os produtores brasileiros, Pessôa acredita que esses efeitos podem ser temporários. “O que importa é o que isso representa para o Brasil como fornecedor confiável”, disse. Ele defendeu que o país deve aproveitar a situação para avançar em negociações paralisadas e buscar novos acordos que envolvam financiamento e tecnologia.
Pessôa também destacou que a crise nos EUA e no Canadá, que enfrentam altos custos e preços reprimidos, fragiliza a concorrência. “Nosso principal adversário está em uma situação muito pior do que a nossa”, afirmou. Ele defendeu que o Brasil deve ter um papel ativo na construção das novas regras do comércio global.
Protagonismo no Comércio Global
O CEO da Agroconsult acredita que o Brasil pode se tornar um protagonista na segurança alimentar e ambiental global. Ele ressaltou a importância de assumir uma narrativa de sustentabilidade, em vez de apenas responder às regras impostas por outros países. Pessôa vê uma janela de oportunidade para estabelecer acordos com parceiros estratégicos, especialmente na Ásia, antes que seja tarde demais.
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