- Novonor assinou venda das ações da Braskem ao Shine I Fundo de Investimento em Participações, gerido pela Vórtx Capital e assessorado pela IG4 Capital, avançando o controle pela gestora brasileira.
- A operação envolve aproximadamente 50,1% do capital votante e 34,3% do capital social da Braskem, transferidos ao Shine I; a NSP Investimentos receberá debêntures em vez de dinheiro.
- Em vez de pagamento em dinheiro, o Shine I entregará debêntures da NSP; para cada ação adquirida, serão usadas duas debêntures de primeira série e uma de segunda série da NSP Investimentos.
- O fechamento prevê um novo acordo de acionistas com a Petrobras para controle compartilhado, com consenso obrigatório no conselho e diretoria; a Petrobras precisa confirmar que não acionará direito de preferência nem o tag along.
- Além da anuência da Petrobras, o negócio depende de autorizações judiciais na recuperação judicial da Novonor e da aprovação da Comissão Europeia sob o Foreign Subsidies Regulation, embora aprovações antitruste já tenham sido obtidas.
A IG4 Capital fechou um acordo para assumir o controle da Braskem, com a Novonor vendendo as ações detidas pela antiga Odebrecht ao Shine I FIP, gerido pela Vórtx Capital e assessorado pela IG4. O acordo foi assinado em 17 de abril e comunicado ao mercado em 20 de abril. A operação envolve 226,3 milhões de ações ordinárias e 47,3 milhões de ações preferenciais classe A, equivalente a 50,1% do capital votante e 34,3% do total.
A NSP Investimentos, subordinada da Novonor, receberá debêntures da própria NSP em vez de pagamento em dinheiro. Fornecendo as garantias, o Shine I entregará debêntures da NSP adquiridas previamente do FIDC Shine, criado para comprar a dívida da Novonor junto aos credores.
Para cada ação comprada, o fundo compradora entregará duas debêntures de primeira série e uma de segunda série da NSP Investimentos. O objetivo é que o Shine, junto com a Petrobras, conduza a reestruturação financeira e operacional da Braskem.
Estrutura acionária e controle
Com o fechamento, entra em vigor um novo acordo de acionistas entre o fundo e a Petrobras, prevendo controle compartilhado. Serão necessários consenso obrigatório nas deliberações do conselho e indicação igual de membros na diretoria e no conselho.
A Petrobras ainda não exerceu formalmente seu direito de preferência, condição suspensiva da operação. A assinatura depende da confirmação de que a estatal não acionará essa cláusula nem o direito de tag along.
A transação também depende de autorizações judiciais no âmbito da recuperação judicial da Novonor e da aprovação da Comissão Europeia pelo Foreign Subsidies Regulation.
Aprovações e etapas seguintes
As aprovações antitruste do Brasil, México, EUA e União Europeia já foram obtidas. Além disso, está previsto protocolo de uma OPA na CVM para aquisição de até a totalidade das ações em circulação, em condições equivalentes à transação.
A operação encerra um período de incerteza sobre a Braskem, marcada por avaliações internas da administração e especulações sobre medidas extremas para credores.
Contexto financeiro e histórico
Em março, a Braskem reportou prejuízo de R$ 10,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, quase o dobro do ano anterior. A empresa encerrou o período com dívida líquida de US$ 7,5 bilhões e caixa de US$ 2,1 bilhões.
A crise resulta de fatores como o escândalo Lava-Jato que afetou a Novonor, o desastre ambiental em Maceió, além de um mercado global de petroquímicos fragilizado pela oferta excessiva. Diversos potenciais compradores desistiram ao longo dos últimos anos.
Gestão e próximos passos
A IG4, liderada por Paulo Mattos, já recrutou profissionais de reestruturação para ocupar cargos de gestão na Braskem. O fundo afirmou que não pretende cancelar o registro de companhia aberta da Braskem e manterá a operação estratégica em curso.
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