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Música gerada por IA envolve fraude estimada em US$ 4 bilhões

IA alimenta fraude no streaming, com bilhões em jogo; Deezer detecta milhões de faixas geradas e plataformas avançam medidas regulatórias

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  • A música gerada por IA se tornou uma fração grande do streaming, com o Deezer registrando mais de 13,4 milhões de faixas criadas por IA até o fim de 2025 e removendo-as de recomendações; em 2026, a plataforma recebeu 75 mil faixas totalmente geradas por IA por dia (44% de todos os uploads diários) e 85% dos streams dessas faixas eram fraudulentos.
  • A Apple Music desmonetizou dois bilhões de reproduções fraudulentas em 2025, equivalentes a quase 17 milhões de dólares em royalties retirados de artistas legítimos; a taxa de fraudes representou menos de metade por cento do total de reproduções.
  • A pirâmide da fraude envolve plataformas de distribuição e ferramentas de IA, com serviços como Suno gerando milhões de faixas diárias; emissões de IA permitem gerar royalties com baixo volume por faixa para escapar de detecção, aumentando a lucratividade de fraudes.
  • Há lacunas legais: a IA pode duplicar vozes de artistas sem usar gravações existentes, levando artistas a buscar proteção por marcas registradas; o Spotify criou o selo Verified by Spotify para diferenciar identidades humanas de conteúdos gerados por IA, sem proibir IA em si.
  • O estudo aponta que o ecossistema de fraudes depende de conteúdo barato, canais de distribuição amplos e falhas nos mecanismos de fiscalização; projeção indica que o fundo de royalties pode perder até 25% da receita dos criadores até 2028, representando cerca de quatro bilhões de euros.

A música gerada por IA ganhou espaço como ferramenta de fraude em escala industrial. Segundo o relatório, plataformas detectam conteúdos criados por IA com impactos diretos em receitas de artistas. Entre eles, Taylor Swift figura entre as vítimas mais citadas.

A partir de análises da indústria, o uso de IA gerou um cenário em que bilhões de euros podem estar em risco para criadores até 2028. Estima-se que quase 25% das receitas dos autores estejam vulneráveis a esse tipo de fraude.

No Deezer, a fraude foi identificada como parte de uma atuação pioneira: a plataforma passou a rotular faixas geradas por IA, removê-las de recomendações e vender tecnologia de detecção para outras plataformas. Os números abrem o retrato do problema.

Até abril de 2026, a Deezer recebia cerca de 75.000 faixas 100% geradas por IA por dia, correspondendo a 44% dos uploads diários. Das streams, uma grande parcela é fraudulenta, segundo o chefe de streaming Thibault Roucou.

Casos e números

Em 2026, a Apple Music informou ter desmonetizado cerca de dois bilhões de reproduções fraudulentas em 2025, resultando em royalties preservados para artistas legítimos. A taxa de fraude representou menos de 0,5% do total de reproduções.

A cadeia de oferta da fraude envolve ferramentas como o Suno, que permite gerar grande volume de faixas com assinaturas pagas. Documentos de investidores mostram receita anual recorrente superior a US$ 300 milhões e financiamento expressivo, elevando a avaliação da Suno a US$ 2,45 bilhões.

Como funciona o universo de fraude

Especialistas apontam que geradores de IA produzem milhões de faixas e bots distribuídos em contas automatizadas para remunerar cada faixa sem acionar detecção de alto volume. A dinâmica atual inclui ferramentas de evasão que editam artefatos da IA para parecer música legítima.

Casos marcantes envolvem artistas cujas vozes foram clonadas para criação de conteúdos em plataformas de streaming. Em alguns cenários, gigantes da indústria figuram como acionados em ações legais, com disputas envolvendo direitos autorais e marcas registradas.

O cenário jurídico e regulatório

A lacuna entre direitos autorais e marcas registradas é destacada pela indústria: vozes de artistas podem ser imitadas sem tocar obras registradas. A proteção de marcas pode preencher brechas, mas exige infraestrutura para comprovar origem e licenciamento de conteúdos gerados por IA.

Alguns processos envolvem disputas por uso de vozes simuladas sem autorização, com plataformas adotando políticas de remoção automática de conteúdos suspeitos. A direção regulatória aponta para necessidade de maior clareza na atribuição de autoria.

O que o Spotify está fazendo

O Spotify destaca capacidades técnicas para desenvolver produtos derivados com base na música existente, sem detalhar treinamentos. Em 2026, o serviço lançou o selo Verified by Spotify, que exige engajamento do público e identidade fora da plataforma, excluindo músicas geradas principalmente por IA.

A empresa afirma que a verificação autentica o artista, não a música, mantendo espaço para faixas geradas por IA com a identificação humana verificada. A medida busca delimitar identidade e responsabilidade.

Desafios e caminhos

Os especialistas destacam que a detecção não basta; a atribuição de autoria e o licenciamento em grande escala são cruciais para compensação justa. A indústria aponta que mecanismos de fiscalização devem acompanhar a evolução tecnológica para evitar abusos.

Entre as medidas já adotadas, Bandcamp, Believe e TuneCore passaram a restringir ou bloquear conteúdos gerados por IA. Mesmo assim, plataformas combinam salvaguardas com novas estratégias de licenciamento e rastreabilidade.

Perspectivas futuras

Estimativas indicam que perdas de royalties podem alcançar 25% das receitas dos criadores até 2028, equivalentes a bilhões de euros. A combinação de tecnologia de IA, plataformas abertas e falhas regulatórias contribui para o desafio em curso.

Fontes citadas destacam a necessidade de infraestrutura de direitos autorais para IA: detecção, atribuição, licenciamento e transparência. Organizações e empresas continuam buscando soluções para equilibrar inovação e proteção de artistas.

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