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Não ouvi que pudesse viciar em maconha; descobri que não estou sozinho

Estudo aponta que, ao contrário do mito, uso diário de cannabis pode levar a transtorno de uso, com impactos na memória, humor e vida social

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  • Segundo o CDC, cerca de 30% dos usuários de cannabis podem desenvolver transtorno por uso, com uso contínuo apesar de efeitos negativos.
  • A cannabis de hoje tem THC mais potente, o que aumenta o risco de dependência, especialmente para quem começa a usar antes dos 25 anos.
  • Relatos de usuários mostram dificuldade real de parar, recaídas e impactos na memória, foco e na vida social.
  • Sintomas de abstinência incluem insônia, irritabilidade, falta de apetite e ansiedade, levando alguns a buscar tratamento médico ou medicações.
  • Especialistas afirmam que a cannabis pode ser viciante e que o tratamento deve ser encarado como uma questão de saúde pública, mesmo com a legalização em várias regiões.

Amy, 18, chegou ao fundo de um contêiner de lixo em busca de um cartucho de THC que havia jogado fora horas antes. A cena abre a reportagem sobre a dependência de cannabis e as dificuldades de quem quer parar.

Ela já tentou reabilitação, terapia e até mudar de escola, mas não conseguiu abandonar o uso diário. O relato faz parte de uma sequência de entrevistas com pessoas que tentam parar de fumar cannabis.

A notícia aborda que o uso recreativo de cannabis é legal em cerca de metade dos estados dos EUA, com uso médico permitido em quase todos. Dados de 2024 indicam que houve recorde no consumo diário de cannabis, acima do vinho e do álcool.

Amy não recebeu diagnóstico formal, mas integra um grupo de apoio on-line com mais de 400 mil integrantes dedicado a parar de fumar cannabis. A reportagem também se baseia em pesquisas e nas opiniões de especialistas.

O que mudou no consumo e no risco de dependência

Especialistas destacam que o conteúdo de THC hoje é mais alto no comércio legal e clandestino, elevando hipóteses de dependência. Estudos citados apontam que o risco de transtorno por uso de cannabis pode ser maior quando o uso começa cedo.

Dr. Kevin Hill afirma que a cannabis pode causar dependência, ainda que muitos não apresentem o transtorno. A diferença está no perfil individual, uso frequente e fatores de saúde mental ou predisposições genéticas.

Profissionais ressaltam que a percepção pública sobre riscos mudou ao longo de décadas. Em períodos mais antigos, a substância era associada a menos problemas, mas pesquisas atuais indicam impactos no cérebro em uso prolongado.

O psiquiatra Deepak D’Souza comenta que o conteúdo de THC presente hoje favorece alterações neurobiológicas em usuários graves, aumentando a probabilidade de transtorno por uso de cannabis.

Experiências de quem ficou dependente e tenta sair

Liam, 33 anos, relata que a cannabis ajudou a largar álcool inicialmente, mas após o nascimento do filho tornou-se difícil abandonar o hábito. Segundo ele, o uso persistente gerou prejuízos sociais e emocionais.

Dr. Jonathan Caulkins, pesquisador da Carnegie Mellon, observa que há uma compreensão persistente de que a cannabis não é viciante, o que dificulta a visão pública sobre o problema. Estudos recentes apontam aumento no transtorno.

Pacientes descrevem sintomas de abstinência ao parar, como insônia, suor noturno, apetite reduzido e irritabilidade. Em algumas semanas, o vazio emocional persiste, exigindo apoio contínuo.

Marianne, 22 anos, relata que a retirada provocou dificuldades iniciais, mas com o tempo houve melhora na qualidade de sono, apetite e humor. A substituição por atividades saudáveis auxilia a evitar recaídas.

Outros relatos mencionam mudanças de vida, como retomada de hobbies, exercícios e atividades sociais. Profissionais destacam que o tratamento pode envolver abordagens multidisciplinares para lidar com a dependência.

Perspectivas e desfechos parciais

Especialistas ressaltam que, embora haja evidências de benefício imediato em alguns casos, não há comprovação clara de eficácia da cannabis para tratar transtornos mentais. A intervenção costuma exigir estratégias de longo prazo.

EB, em seus 60 e poucos anos, enfatiza buscar a raiz do uso para superar a dependência. A história de alguém que relembra sonhos antigos desperta a ideia de que é possível recomeçar em novas fases da vida.

A reportagem evidencia que o tema envolve saúde pública, políticas de drogas e mudanças culturais. A busca por informações confiáveis e acompanhamento médico permanece central para quem quer parar.

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