- O Conselho Deliberativo do Corinthians julga o ex-presidente Andrés Sanchez nesta segunda-feira, em sessão no Parque São Jorge, para decidir sobre possível expulsão.
- O relatório da Comissão de Ética recomenda expulsão de Andrés, após investigação sobre uso indevido do cartão corporativo para despesas pessoais.
- Segundo as contas do promotor, teriam sido utilizados indevidamente R$ 480.169,60 entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, com correção pela inflação e juros.
- A defesa de Andrés argumenta que não havia política interna disciplinando o cartão, que houve informalidade institucional e que parte das despesas era compatível com atividades do clube; ele afirma ter ressarcido parte dos gastos.
- O relatório aponta que as despesas não são isoladas e representam ato grave que atinge a credibilidade institucional do clube, defendendo medidas disciplinares proporcionais à função exercida pelo ex-presidente.
O Conselho Deliberativo do Corinthians abriu julgamento contra o ex-presidente Andrés Sanchez (2018-2020) nesta segunda-feira. A sessão pode culminar na expulsão do dirigente, conforme o relatório da Comissão de Ética ligado ao clube. O parecer, elaborado pelo presidente em exercício do Conselho, Leonardo Pantaleão, recomenda a expulsão em razão do uso indevido do cartão corporativo para despesas pessoais.
Segundo o documento, os fatos apurados revelam conduta incompatível com os deveres ético-institucionais e com a função diretiva máxima no clube. A análise aponta violação da lealdade institucional, da responsabilidade patrimonial e da prestação de contas. A decisão será tomada em votação aberta e nominal no Parque São Jorge.
A Comissão de Ética entendeu que a irregularidade extrapola uma simples falha administrativa. O relatório sustenta que as despesas com o cartão corporativo não possuíam demonstração objetiva de relação com o interesse institucional, o que compromete a legitimidade funcional do cargo.
Uso do cartão corporativo
A apuração aponta que o ex-presidente utilizou o cartão de crédito do Corinthians para despesas pessoais. A soma indicada no documento chega a R$ 480.169,60 entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, com valores atualizados pela inflação. Parte das despesas já foi ressarcida, conforme defesa apresentada.
Na defesa, Andrés afirma que não houve uma política interna que disciplinasse o uso do cartão, que os gastos ocorreram em ambiente institucional de informalidade pretérita e que não houve dolo ou má-fé. Ainda segundo ele, algumas despesas eram compatíveis com atividades institucionais.
Para Pantaleão, a gravidade dos fatos é incompatível com o zelo e a integridade exigidos de quem preside a entidade. O relatório aponta que a situação afeta a credibilidade do clube e não deve receber tratamento de baixa intensidade.
Desdobramentos legais
Além do processo interno, Andrés Sanchez responde a ações na Justiça relativas ao uso do cartão corporativo. O Ministério Público apresentou denúncias por apropriação indébita, entre outras acusações, em diferentes ações. Em um caso, a Justiça rejeitou inicialmente denúncias de lavagem de dinheiro e crime tributário.
O quadro envolve ainda outros ex-presidentes do clube, com denúncias distintas relacionadas a uso de cartões corporativos. Em alguns casos houve andamento processual, com réus formalmente acusados, e em outros a Justiça solicitou arquivamento de investigações por falta de elementos suficientes.
A sessão no Parque São Jorge continua sendo acompanhada por torcedores e imprensa, com definição sobre a expulsão ou manutenção de Andrés Sanchez no quadro de associados do Corinthians. O desfecho depende da votação dos conselheiros, que pode confirmar ou rejeitar a recomendação da Comissão de Ética.
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