- Carol Ruckdeschel, de 84 anos, vive em Cumberland Island há 53 anos e atua como ecologista e naturalista, dedicando-se à preservação da ilha.
- Ela faz surveys semanais de fauna e realiza necropsias em tartarugas marinhas, contribuindo com dados que já influenciaram leis e designs de redes de pesca.
- O material da sua antiga Cumberland Island Museum foi transferido ao Serviço Nacional de Parques; há planos para exibi-lo no Georgia Natural History Museum.
- Ruckdeschel combate ameaças de desenvolvimento, como acordos de troca de terras e propostas de espaçoporto, além de ampliar visitas e instalações na ilha.
- Cumberland Island é uma Área de Preservação Nacional com acesso restrito (no máximo 300 visitantes por dia) e sem lojas ou serviços; ela vive de forma autossuficiente, quase sem acesso à cidade.
Carol Ruckdeschel, 84 anos, vive há 53 anos em Cumberland Island, parte de uma das ilhas de barreira mais remotas da Costa Atlântica dos EUA. Naturalista, ela conduz necropsias de tartarugas marinhas e registra tudo em um caderno de campo, mantendo uma rotina semanal de observação na ilha.
Chegada de Ruckdeschel a Cumberland ocorreu após visita em 1960 como pesquisadora. Em 1973 mudou-se definitivamente, trabalhando como cuidadora em um rancho particular. Em 1978 comprou a cabana remota no extremo norte, uma das poucas estruturas que não foram adquiridas pelo Serviço Nacional de Parques (NPS).
A ilha é protegida como National Seashore e permanece amplamente selvagem, com acesso limitado a visitantes. Cumberland reúne 36 mil acres, fica a 30 km ao norte de Jacksonville, na Geórgia, e recebe no máximo 300 visitantes por dia, que precisam de reserva antecipada para ferry, acampamento ou hospedagem no Greyfield Inn.
Luta pela conservação
Ruckdeschel tornou-se referência ao identificar problemas da vida marinha local. Suas necropsias de tartarugas revelaram que muitas mortes eram causadas por redes de arrasto, levando a mudanças em leis e no design das redes. Ela acumulou vasta coleção de crânios e conchas em um museu próprio, que transferiu ao NPS.
Ao longo dos anos, a ecologista tem enfrentado pressões por maior turismo e desenvolvimento na ilha. Foi crucial na designação de áreas como wilderness no extremo norte, nos anos 1980, e defende o deslocamento ou manejo de cavalos ferais introduzidos pelos colonizadores. O objetivo é manter Cumberland o mais natural possível para futuras visitas.
Hoje, além de lutar contra propostas de ampliar a lotação de visitantes de 300 para 750 por dia, ela acompanha negociações entre o NPS e proprietários rurais locais que poderiam facilitar novas habitações na ilha. Também observa planos de concessões e infraestrutura que mudariam a experiência de quem chega à ilha.
Caminho pessoal e legado
Ruckdeschel descreve a vida na ilha como plenamente independente, com água captada, energia gerada por meios alternativos e alimentação obtida no entorno. Ela cultiva árvores de fruta, legumes e plantas que ajudam a manter sua moradia, construída com materiais encontrados e recuperação de estruturas antigas.
A defesa de Cumberland envolve a atuação de grupos como Wild Cumberland, além de redes de cientistas cidadãos organizadas pela própria pesquisadora. Mesmo diante de ameaças, ela afirma continuar vigilante, mantendo-se em alerta para proteger a integridade ecológica da ilha.
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