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Gaza vê Copa distante do espetáculo milionário dos EUA

Gaza vê Copa do Mundo distante do luxo dos Estados Unidos, com torcedores em abrigos, internet instável e risco de bombardeio durante os jogos

Torcedores palestinos assistindo à partida do Grupo G da Copa do Mundo entre Bélgica e Egito em um telão montado no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, em 15 de junho de 2026.
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  • Gaza vive a Copa do Mundo de forma bem diferente dos EUA: torcedores assistem a jogos por internet instável, em abrigos, sob drones e com risco de bombardeios.
  • Fadi Al-Arawi, 38 anos, ex-jogador da primeira divisão, está deslocado e acompanha as partidas em Khan Younès, em uma sala de escola transformada em abrigo, com sinal falho.
  • No sábado, cerca de 14 de junho, o duelo entre Catar e Suíça foi assistido por Al-Arawi com a antiga camisa do Gaza Sports Club, mesmo com internet instável.
  • A infraestrutura de Gaza foi amplamente destruída após mais de dois anos de ofensiva; muitos vivem em tendas ou prédios danificados, e a energia é intermitente em locais públicos como cafés.
  • O impacto da guerra no esporte é duro: cerca de 1.000 atletas entre 73.000 mortos desde 2023, aproximadamente 285 instalações esportivas destruídas ou danificadas, e estádios como Al-Yarmouk transformados em abrigos.

Entre ruínas e jogos que ainda chegam pela tela, Gaza vive a Copa do Mundo distante do espetáculo visto nos EUA. Torcedores assistem aos jogos na Faixa de Gaza via conexão instável, em abrigos improvisados, sob o ruído de drones e o risco de bombardeios.

Fadi Al-Arawi, 38 anos, ex-jogador da primeira divisão local, acompanha a competição sem ter casa, em Khan Younès. A transmissão acontece em uma sala de escola transformada em abrigo, com sinal frágil que compartilha com amigos entre interrupções de internet.

No sábado, antes do início do duelo entre Catar e Suíça, o atleta vestiu a antiga camisa do Gaza Sports Club e exibiu medalhas de competições internacionais. O momento simboliza a tentativa de normalidade em meio à precariedade das condições ao redor.

A transmissão é acompanhada por amigos reunidos na mesma escola, adaptada para abrigar famílias deslocadas. Drones sobrevoam a região e o sinal de internet falha desde o começo, aumentando a tensão no espaço onde assistem aos jogos.

O cotidiano precário convive com tentativas de normalidade. Grande parte da infraestrutura da Faixa de Gaza foi destruída ao longo de mais de dois anos de ofensiva. Mesmo com uma trégua parcial, ataques continuam e não há acordo definitivo para o fim das hostilidades.

Comércio em Cidade de Gaza tenta manter atividades. O Royal Café, por exemplo, instalou duas linhas elétricas alternativas e uma bateria de reserva para exibir jogos da Copa, especialmente em horários noturnos, quando os geradores costumam ser desligados.

Entre os frequentadores, a presença de bandeiras do Egito e do Marrocos revela o clima de torcedor. O risco de alvo aumenta, e há relatos de que o local pode ser atingido, ainda assim a rotina de acompanhar as partidas persiste entre incertezas.

Impacto da guerra sobre o esporte palestino

A Federação Palestina de Futebol aponta impactos profundos no esporte local. Aproximadamente 1.000 atletas integram parte das 73.000 pessoas mortas desde 2023, incluindo profissionais, amadores e jovens em formação. As perdas vão além das vidas.

Cerca de 285 instalações esportivas foram destruídas ou danificadas, com estádios transformados em espaços de detenção ou atingidos por bombardeios. O estádio Al-Yarmouk, na Cidade de Gaza, passou de palco de partidas para abrigo de famílias deslocadas.

Dirigentes esportivos destacam que o setor vem sendo alvo contínuo do conflito desde 2023. O cenário revela como o esporte se tornou parte das dificuldades enfrentadas pela população, com impactos na prática e na convivência esportiva.

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