- Burkina Faso rompeu relações diplomáticas com a França, acusando Paris de agir contra seus interesses nacionais.
- A decisão ocorre após o golpe de 2022 liderado pelo Capitão Ibrahim Traoré, com políticas amplamente antiocidentais.
- Em discurso televisionado, o ministro de Comunicação, Pingdwendé Gilbert Ouédraogo, afirmou que a França pratica “ativismo incessante” e tem “ambições neocoloniais”.
- O Ministério das Relações Exteriores da França classificou a decisão como hostil e infundada, e pediu maior vigilância a seus cidadãos; não há embaixador francês em Burkina Faso desde janeiro de 2023.
- Burkina Faso, Mali e Níger deixaram Ecowas em 2025 para formar a Aliança dos Estados do Sahel; o país expulsou três diplomatas franceses em 2024.
Burkina Faso rompeu relações diplomáticas com a França, alegando que Paris atua repetidamente contra seus interesses nacionais. A decisão foi anunciada em seguida a acusações de ativismo contínuo por parte de Paris e de possíveis ambições neocoloniais.
O anúncio foi feito por Pingdwendé Gilbert Ouédraogo, ministro das Comunicações, em transmissão televisiva na sexta-feira. O governo Burkinabe afirma que não há mais condições de convivência entre os dois países dentro do atual protocolo diplomático.
Contexto regional e histórico
Desde 2022, após a posse do Capitão Ibrahim Traoré, o Burquina Faso tem passado por mudanças políticas e alinhamentos regionais cautelosos. O país expulsou tropas francesas e passou a mirar parcerias com outras potências, incluindo China e Rússia, segundo o governo.
O rompimento ocorre no contexto de uma luta contra insurgência islamista que perdura há mais de uma década. Burkina Faso e Mali já foram associados a mudanças na relação com a Organização de Cooperação Regional na África Ocidental, Ecowas, e, em 2025, criaram um novo bloco regional, a Aliança dos Estados do Sahel.
A França declarou a decisão hostil e infundada, e pediu que seus nacionais no país atuassem com maior vigilância. O governo francês também ressaltou o afastamento de embaixadores franceses em Ouagadougou desde janeiro de 2023.
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