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Pesticida popular ligado à perda de peso e atraso na migração de aves

Neonicotinoide em sementes reduz peso e atrasa migração de aves silvestres, podendo impactar sobrevivência e reprodução dos migrantes

A white-crowned sparrow. Image by Wolfgang Wander via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
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  • Um estudo mostra que imidacloprido, pesticida neonicotinoide, usado para sementes, causou perda de peso e de gordura em tentas brancas-coroa (Zonotrichia leucophrys) em paradas de migração na região de Ontário, Canadá.
  • A pesquisa comparou 36 aves capturadas em 2017, divididas em três grupos: sementes com dose baixa, dose um pouco maior e sementes sem pesticida.
  • Aquelas alimentadas com sementes sem pesticida não apresentaram perda significativa de peso; as que receberam doses baixas perderam cerca de 3% do peso corporal e 9% da gordura; as do grupo de dose elevada perderam 6% do peso e 17% da gordura.
  • Mesmo após a liberação, aves expostas a doses maiores permaneceram em média cerca de três dias e meio a mais no ponto de parada do que as que comeram sementes não tratadas.
  • Os autores sugerem que a supressão do apetite causada pelo pesticida pode atrasar a migração, o que pode contribuir para o declínio de espécies de aves migratórias que dependem de áreas agrícolas.

Um novo estudo aponta que um grupo popular de pesticidas pode afetar aves migratórias que fazem paradas em áreas agrícolas. A pesquisa analisou o impacto do imidacloprid, um neonicotinoide, em pássaros- sparrows. Os resultados indicam perda de peso e atraso na migração.

A equipe liderada por Margaret Eng, da University of Saskatchewan, acompanhou animais silvestres na fronteira entre EUA e Canadá, no início de 2017. 36 aves foram capturadas em Ontario, temporariamente mantidas em gaiolas e depois soltas, com monitoramento de peso e de movimentos.

Metodologia

Os passarinhos foram distribuídos ao acaso em três grupos: 12 recebendo sementes tratadas com dose baixa de imidacloprid, 12 com dose mais alta subletal e 12 com sementes sem pesticida. A cada grupo, peso, composição corporal e localização pós-libertação foram registrados.

Ao comparar com aves alimentadas com sementes sem pesticida, as que comeram sementes com dose baixa perderam cerca de 3% do peso corporal e 9% da gordura. As expostas à dose mais alta registraram quedas de 6% no peso e 17% na gordura.

Resultados e desdobramentos

Os efeitos não se limitaram ao curto prazo. Mesmo após a liberação, aves expostas a doses mais altas permaneceram, em média, 3,5 dias a mais na área de parada antes de seguir a migração. Autores apontam ligação entre supressão do apetite e atraso no voo.

Eng afirmou que os efeitos observados ocorrem com doses compatíveis com o que poderia ser ingerido na natureza, equivalentes a alguns sementes tratadas. A pesquisa sugere potencial contribuição de neonicotinoides para o declínio de espécies de pássaros que dependem de campos agrícolas.

Créditos e contexto

O estudo destaca a migração como etapa crítica, na qual atrasos podem prejudicar acasalamento e nidação. A coautora Christy Morrissey reforça que parte de espécies de campo vem apresentando quedas desde 1966, o que torna relevante compreender o papel dos pesticidas.

A pesquisa foi publicada na revista Science, com apoio de trabalhos anteriores em ambientes controlados. Especialistas ressaltam a necessidade de mais estudos para confirmar efeitos em populações distintas de aves migratórias.

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