- Pesquisadores apresentaram o primeiro atlas global que quantifica a luz artificial à noite nos habitats submarinos, usando várias fontes de dados.
- A 1 metro de profundidade, até 1,9 milhão de quilômetros quadrados de áreas costeiras ficam expostos a luz artificial biologicamente relevante; isso representa mais de 3% das zonas econômicas exclusivas.
- A área impactada diminui com a profundidade: 1,6 milhão de km² aos 10 metros e 840 mil km² aos 20 metros.
- A luz de diodos emissores de iluminação (LEDs) pode penetrar mais profundamente, com espectro mais azul, o que aumenta o alcance e o potencial de efeitos biológicos.
- A equipe enfatiza que as estimativas são conservadoras e que os impactos devem aumentar conforme o modelo é aperfeiçoado, destacando a importância de considerar a poluição luminosa entre os estressores marinhos.
O atlas global que mapeia o impacto da luz artificial à noite no oceano foi criado por uma equipe liderada por pesquisadores do Plymouth Marine Laboratory. O estudo, publicado em 2021, associa a poluição luminosa à vida marinha, revelando a profundidade e a extensão da luz que penetra os habitats submersos. O objetivo é quantificar efeitos biológicos em ecossistemas marinhos.
Thomas Davies, ecologista de conservação na University of Plymouth, explica que muitos organismos marinhos usam a luz natural como relógio, bússola e guia para migrações. Ele ressalta que a luz artificial pode interferir nesses processos, mesmo em profundidades antes consideradas menos afetadas.
Desenho do atlas e dados utilizados
A equipe criou o atlas ao combinar várias fontes, incluindo o atlas de brilho noturno artificial de Falchi, de 2016, e medições na região norte do Golfo de Aqaba. A partir desses dados, foram estimadas a intensidade, o espectro e a profundidade da penetração da luz no oceano.
Segundo Tim Smyth, autor principal do estudo, o conceito de profundidade crítica envolve a sensibilidade à luz de copepodos do gênero Calanus, importantes na cadeia alimentar marinha. A equipe usou esse parâmetro para definir quando a luz se torna biologicamente relevante.
Principais resultados
Em 1 metro de profundidade, 1,9 milhão de km2 de áreas costeiras ficaram expostas a luz artificial biologicamente relevante à noite. Isso representa mais de 3% das zonas econômicas exclusivas globais, segundo o estudo.
A área impactada reduz para 1,6 milhão de km2 aos 10 metros e para 840 mil km2 aos 20 metros. Os cientistas consideram esses números conservadores, pois adotaram hipóteses simplificadoras para o modelo.
Luzes LED e implicações
Os autores destacam que a iluminação LED, embora energeticamente eficiente, pode penetrar mais fundo na coluna de água. A dominância do espectro azul pode intensificar impactos sobre organismos aquáticos, diferente de luminações amareladas.
Smyth aponta que cidades estão migrando para iluminação LED, o que aumenta a fração de luz azul. Experimentos anteriores mostraram efeitos adversos em aves, insetos, peixes e tartarugas, com menor impacto para LEDs filtrados em tons amarelos-verdes.
Perspectivas e impactos
Davies e Smyth esperam que o atlas aumente a conscientização sobre a poluição luminosa marinha, colocando a iluminação artificial como ameaça adicional ao oceano, ao lado de acidificação, plástico e outros estressores.
Os pesquisadores defendem a construção de camadas de mapas que combinem diferentes impactos humanos. O objetivo é entender os efeitos coletivos sobre o meio marinho e orientar políticas de conservação.
Sobre fontes e creditação
O estudo cita trabalhos anteriores que discutem sensibilidade luminosa de Calanus e efeitos espectrais de lâmpadas. As referências incluem artigos em Polar Biology, Journal of Experimental Zoology e Scientific Reports.
Entre na conversa da comunidade