- Pesquisas indicam que pelo menos um a cada cinco jovens entre dezoito a vinte e quatro anos usa vapores ou dispositivos similares no Brasil, com maior concentração entre homens (10,1%) do que entre mulheres (4,8%), e a região Centro-Oeste aparece com 11,2%.
- O Distrito Federal lidera a proporção de adolescentes entre treze e catorze e sete anos que experimentaram o produto, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2019 divulgados recentemente; 30,8% já haviam testado.
- Cigarros eletrônicos liberam nanopartículas de metais pesados, solventes e outras substâncias químicas; o propilenoglicol e o formaldeído são citados entre os componentes, podendo irritar olhos, vias respiratórias e, em alguns níveis, afetar fígado, rins e sistema nervoso; a nicotina também está presente e é viciante.
- Em dois mil e dezenove, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos descreveu a EVALI, doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico; sintomas incluem tosse, dor no peito, falta de ar, entre outros.
- A Anvisa mantém a proibição desde dois mil e nove; especialistas alertam que, embora possa haver curiosidade entre adolescentes, não é comprovada segurança e há risco de dependência química e emocional, com ausência de regulamentação que assegure o conteúdo dos componentes.
O tema dos cigarros eletrônicos volta a ganhar atenção no Brasil. O vape, também chamado de pod, consiste em um dispositivo com bateria que aquece um líquido para gerar vapor. A dosagem de nicotina varia conforme o fabricante, indo de níveis equivalentes a seis até 18 cigarros comuns.
Mesmo proibidos pela Anvisa desde 2009, os cigarros eletrônicos circulam pela internet e entre jovens. Relatos nas redes sociais mostram lojas online, tutoriais de montagem caseira e conteúdos que associam sabores a traços de personalidade.
> Pelo menos 20% dos jovens entre 18 e 24 anos já usaram vapes ou similares no Brasil, segundo o relatório Covitel divulgado em 2024. A região Centro-Oeste registra alta proporção de usuários, com o Distrito Federal liderando entre adolescentes de 13 a 17 anos, conforme dados do PeNSE de 2019.
Especialistas afirmam que o argumento de substituição ao cigarro tradicional é inadequado. Substâncias como propilenoglicol, solventes e o formaldeído podem provocar irritação ocular, respiratória e danos a órgãos. A nicotina mantém o potencial viciante.
Em 2019, o CDC associou uma síndrome respiratória grave ao uso de cigarros eletrônicos, classificada como EVALI. Sintomas comuns incluem tosse, dor no peito e falta de ar, além de sinais gastrointestinais e febre.
Vício e hábitos
O início com o vapor pode gerar prazer momentâneo que facilita a dependência. A libertação rápida de nicotina após tragada, entre 7 e 19 segundos, pode impactar áreas do cérebro ligadas a memória e emoção.
Para quem busca largar o hábito, médicos recomendam abordagem gradual ou abrupta, além de reduzir gatilhos. Apoio familiar e acompanhamento médico costumam facilitar a recuperação, sem desconsiderar fatores comportamentais.
Impactos na saúde
A saúde bucal pode sofrer com o uso. A microbiota oral fica comprometida e há maior risco de doenças periodontais, boca seca e retração gengival. A produção reduzida de saliva aumenta cáries e mau hálito.
Na pele e na estética, o uso repetido pode elevar o estresse oxidativo, acelerar o envelhecimento e reduzir a resposta imune. Feridas e acne costumam demorar a cicatrizar.
Mitos e verdades
É falso que vape seja composto apenas de essência; há a presença de nicotina e outras substâncias na fumaça. A dependência é possível, mesmo com sabores lúdicos. E não há consenso sobre efeitos a longo prazo devido à insuficiência de estudos.
Sobre segurança, não há regulamentação abrangente no Brasil para comprovar a composição dos líquidos. Assim, não é possível atestar a segurança de cada ingrediente ou método de uso.
Observação final
A prevenção envolve educação sobre riscos, especialmente entre jovens. As autoridades de saúde enfatizam a necessidade de pesquisa contínua e de regulamentação mais rigorosa para esclarecer impactos à saúde e orientar políticas públicas.
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