- A indústria de krill na Antártida tem aumentado a produção, com a Aker BioMarine respondendo por cerca de 65% do total global.
- A maior parte do krill processado vai para ração de aquicultura e pets, ajudando a substituir farinha de peixe, conforme demanda por proteínas alternativas cresce.
- Cientistas independentes alertam que a pesca de krill pode afetar predadores na região e que mudanças climáticas já pressionam esse ecossistema.
- Hoje, 12 embarcações operam na Antártida, sob a gestão da CCAMLR, com quotas limitadas a cerca de 1% do biomassa estimada; há discussões sobre aumento futuro com novos sistemas de monitoramento.
- Críticos apontam que o aquecimento e a redução de gelo afetam a distribuição do krill, o que pode impactar espécies como pinguins e outros predadores, especialmente perto da Península Antártica.
A indústria de ração para peixes está migrando para o krill antártico, com impactos ainda incertos na cadeia alimentar da região. Em Montevideo, Uruguai, parte da produção de Euphausia superba é acondicionada em um grande entreposto da Aker BioMarine, principal fornecedora mundial do crustáceo.
Aker BioMarine opera três barcos de pesca na Antártida e um navio de transporte, o Antarctic Provider. Do porto de Montevidéu, o Krill meal é enviado diariamente a mercados globais, com a maior parte destinada a rações para aquicultura e animais de estimação.
A empresa afirma que cerca de 80% da captura e da produção a bordo seguem para aquicultura, com distribuição mundial. Parte menor segue para produção de suplementos de uso humano em Houston, Texas. A maior demanda atual vem de rações para peixes carnívoros e camarões.
Pela visão da indústria, a krill é uma alternativa a fontes de proteína de peixes selvagens, cada vez mais escassas. A aquicultura busca reduzir a dependência de fishmeal e fish oil provenientes de stocks naturais, aumentando o uso de krill como ingrediente.
Acompanham sensibilidade ambiental as avaliações de cientistas independentes. Pesquisadores do Chile indicam variação de biomassa de krill entre anos e retração gradual ao longo do tempo, o que pode afetar predadores no ecossistema antártico.
Reguladores e debates
Organismo CCAMLR, sob o sistema de Tratado da Antártida, gerencia a pesca de krill. Hoje operam 12 vessels de 7 empresas de 5 países, com a maior atuação na Noruega e na China. O objetivo institucional é manter quotas restritas, compatíveis com a biomassa estimada de cerca de 60 milhões de toneladas na área de atuação.
Relatos de autoridades locais apontam que a biomassa não apresentou mudanças significativas desde 2000, segundo dados filtrados. Em contrapartida, pesquisadores de INACH sustentam que há evidências de redução de biomassa em determinadas áreas e riscos para espécies que dependem do krill.
Estudos indicam que o aumento das temperaturas e a redução de plataformas de gelo podem reduzir habitats de krill, deslocando a distribuição para águas mais frias e ao sul. A escassez de krill em determinadas zonas pode impactar aves, focas e baleias.
Observadores independentes destacam que o crescimento da frota e de capturas pode aumentar a pressão sobre populações de krill, sobretudo próximo à Península Antártica. Em conexão, discussões sobre criação de áreas protegidas continuam em aberto nas discussões da CCAMLR.
A indústria sustenta que o novo sistema de monitoramento de biomassa poderá permitir aumento de quotas em anos de abundância, mantendo cautela em períodos de menor disponibilidade. Acordos voluntários envolvendo empresas e organizações ambientais estão sob avaliação contínua.
A controvérsia envolve equilíbrio entre expansão econômica e proteção de predadores dependentes de krill, frente às mudanças climáticas que afetam a região. Organizações ambientais destacam a necessidade de salvaguardas robustas para evitar impactos desproporcionais na fauna antártica.
Esta reportagem foi produzida com colaboração de equipes internacionais e apoio de organizações de jornalismo ambiental, enfatizando dados verificáveis sobre gestão, produção e conservación na Antártida.
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