Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Do azul-prússia de Picasso e Hokusai ao vermelho de Vermeer: sete cores na arte

Do azul-prússia de Picasso ao vermelho de Vermeer, pigmentos revelam histórias ocultas e impactos tóxicos que moldam obras icônicas

Museo de Arte de Ponce, The Luis A Ferré Foundation, Inc
0:00
Carregando...
0:00
  • A matéria apresenta como pigmentos usados em obras famosas carregam histórias profundas e, às vezes, tóxicas, desde o azul Prússia até o vermelho de Vermeer.
  • Em Madame X, de John Singer Sargent, o tom da pele é resultado de uma mistura de branco de chumbo, rosa madder, vermelho (vermillion) e verde- vídrio, com uma pitada de osso preto.
  • Em The Girl with a Wine Glass, de Vermeer, o vestido é tingido com rosa madder, extraído das raízes da Rubia tinctorum, produzindo um rubi intenso.
  • Flaming June, de Frederic Leighton, usa chrome orange, pigmento novo alimentado pela mineração de chromite, conferindo à cena um brilho laranja vibrante.
  • Summer’s Day, de Berthe Morisot, emprega emerald green, uma variação da cor verde ligada a pigmentos com arsenic, que traz um verdor inquietante à paisagem.
  • Irises, de Claude Monet, utiliza cobalt violet, nascimento possibilitado pela invenção do pigmento violeta de cobalto e pela prática de pintar ao ar livre, influenciando o impressionismo.

A obra de Kelly Grovier revela como as cores guardam segredos e histórias por trás das obras-primas. Do azul de Prússia usado por Picasso às nuances vermelhas de Vermeer, cada pigmento carrega uma origem, às vezes tóxica, e um caminho de criação que muda a leitura da pintura. O livro acompanha 39 pigmentos e suas trajetórias.

A pesquisa mostra que a cor não é apenas aparência. Ela implica processos químicos, escolhas de artistas e riscos para quem extrai os pigmentos. As histórias vão desde o pigmento que dá tom azul profundo até fontes de cor que provocaram controvérsias e perigos industriais.

Black

Bone black aparece no retrato de Madame X, de John Singer Sargent, de 1883-84. O pigmento resulta da incineração de restos ósseos, conferindo tonalidade sombria à pele. A prática, ligada a técnicas históricas, acrescenta uma camada de interpretação sobre a fugacidade da carne.

A presença de bone black intensifica a expressão melancólica da obra e sugere uma relação entre desejo e decomposição. O uso histórico deste pigmento transforma a leitura do retrato, indo além de uma simples paleta de cores.

Red

Vermeer usou rose madder para intensificar o vestido da jovem em The Girl with a Wine Glass (1659-60). Extraído das raízes de Rubia tinctorum, o pigmento libera alizarina ao ferver, produzindo um rubro vívido que atrai o olhar.

A escolha de Vermeer cria uma tensão dramática na cena, com o contraste entre a delicadeza da figura e o tom potente do vermelho. A cor atua como motor emocional da composição, destacando o protagonismo da mulher.

Orange

Chrome orange aparece em Flaming June, de Frederic Leighton, 1895. O pigmento foi possível graças à exploração de cromita, um mineral encontrado próximo a Paris e em Baltimore. O tom laranja cromado confere à obra uma ideia de beleza incessantemente renovável.

Sob esse pigmento, a jovem adormecida ganha uma aura de vigor e fertilidade estética. A cor eleva o tema da pintura a um símbolo de vitalidade contínua, que contrasta com leituras de mortalidade sugeridas pela composição.

White

Lead white é o pigmento dominante em Symphony in White, No 1: The White Girl, de James McNeill Whistler, 1861-62. O processamento envolve chumbo, vinagre e processos fermentativos que produzem uma camada branca. A prática histórica é associada a riscos neurotóxicos.

A cor, apesar do uso estético, revela a dualidade entre beleza e perigo. A origem do pigmento ilumina aspectos técnicos e éticos da produção artística de época, sem afetar a apreciação formal da obra.

Green

Emerald green, utilizado em Summer’s Day, de Berthe Morisot (1879), substitui tonalidades anteriores e carrega uma aura de verdura intensa. O pigmento está ligado a uma família de pigmentos que já traziam preocupações históricas pela presença de arsênico em formulações próximas.

A escolha do verde esboça um cenário de inquietação ambiental na cena, sugerindo uma leitura de paisagem e atmosfera sob uma lente de risco químico. A cor contribui para o clima de transe na tela.

Purple

Cobalt violet aparece em Monet, Irises (1914-1926). A invenção do pigmento violeta de cobalto, associada ao aparecimento de tubos de tinta portáteis, impulsionou a prática ao ar livre. Monet e colegas aproveitaram a tonalidade para representar a atmosfera.

A cor violeta tornou-se instrumento do impressionismo, capturando sombras e clarões com maior fidelidade. A descoberta permitiu expressar a sensação de luminosidade e frescor que define a obra de Monet.

Relacionados:

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais