- A iniciativa Ocean Census quer encontrar cem mil espécies marinhas novas em dez anos, com expedições a hotspots de biodiversidade.
- A primeira expedição começou no Mar de Barents, em 29 de abril, estudando áreas de cold seeps, onde gases aparecem no fundo do oceano.
- Estima-se que apenas cerca de 10% das espécies marinhas já foram descritas; ainda existem cerca de dois milhões a serem identificadas.
- O projeto prevê sete expedições no primeiro ano, usando tecnologia como imagem de alta resolução, sequenciamento de DNA e aprendizado de máquina, em parceria entre Nekton e a Nippon Foundation.
- O Ocean Census pretende reunir parceiros de instituições de ciência, empresas, sociedade civil e mídia para acelerar a descoberta e a difusão do conhecimento sobre o oceano.
Em 29 de abril, uma equipe de cientistas embarcou em uma embarcação de pesquisa para as águas frias do Mar de Barents, no Ártico. O objetivo é identificar novas espécies marinhas próximas a seeps frios, fissuras no fundo do mar que liberam gases como sulfeto de hidrogênio e metano.
Entre os alvos estão corais moles, esponjas de vidro, agulhas-do-mar e crustáceos, que podem abrigar novas formas de vida em torno desses abismos. Estima-se que apenas cerca de 10% das espécies marinhas foram descritas formalmente, com cerca de 2 milhões ainda por identificar.
O projeto Ocean Census tem como meta encontrar 100 mil novas espécies marinhas em uma década. A iniciativa reúne universidades, institutos de pesquisa, setor privado e organizações da sociedade civil, com uso de tecnologias avançadas como imagens de alta resolução, sequenciamento de DNA e aprendizado de máquina.
Tecnologias e parcerias
A primeira expedição ocorre em parceria com a Universidade de Tromsø, na Noruega, e envolve a ONG Nekton (Reino Unido) e a Nippon Foundation (Japão). Ao longo de sete expedições no primeiro ano, serão explorados hotspots de biodiversidade marinha.
A ideia é ampliar iniciativas anteriores, como as expedições Challenger (1872-1876) e o Census of Marine Life (2000-2010), que somaram centenas de expedições e milhares de novas descrições. O Ocean Census espera acelerar esse processo com tecnologia e compartilhamento de dados na nuvem.
Alex Rogers, diretor científico do Ocean Census, afirma que revoluções tecnológicas permitirão descobrir a vida oceânica com maior velocidade e escala. Segundo ele, o tempo para descrever uma nova espécie pode cair de meses a dias com as ferramentas atuais.
Yohei Sasakawa, presidente da Nippon Foundation, ressalta a importância do conhecimento obtido para a conservação. Ele destaca que entender o que existe é essencial para proteger o oceano, especialmente diante de pressões como pesca excessiva e poluição.
O Ocean Census pretende unir laboratórios, empresas, organizações da sociedade civil e veículos de divulgação para alcançar seus objetivos. A iniciativa visa apoiar decisões de conservação ambiental, incluindo acordos internacionais para proteger áreas marinhas fora da jurisdição nacional.
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