- Ozempic virou mania em Hollywood, com celebridades admitindo uso para emagrecimento.
- Wegovy, versão de dose maior do mesmo ativo, já está nos EUA e deve chegar ao Brasil no segundo semestre; a Anvisa autorizou a droga em janeiro de 2023.
- Novo Nordisk teve faturamento de US$ 8,5 bilhões com Ozempic em 2022; Pfizer, Novartis e Eli Lilly acompanham a tendência com novos itens GLP‑1. Espera-se que o mercado chegue a dezenas de bilhões de dólares até o fim da década.
- O emagrecimento ocorre com o uso contínuo; ao interromper, há recuperação de peso. A bula traz alerta sobre possível câncer de tireoide, mas o risco em humanos não é comprovado.
- No Brasil, a bula do paciente não detalha tumores em ratos; médicos são orientados a monitorar pacientes e considerar que obesidade é doença multifatorial, com uso cauteloso dos medicamentos.
O Ozempic virou tema de Hollywood, com celebridades admitindo uso para emagrecimento. A droga, criada para diabetes tipo 2, tem efeito colateral de redução de peso, o que alimenta a demanda global. A empresa Novo Nordisk registra grande faturamento com o medicamento.
A Wegovy, versão de maior dose, foi aprovada pela FDA em 2021 para obesidade. No Brasil, a Anvisa autorizou a entrada no mercado nacional em janeiro de 2023, com expectativa de chegada ao público em breve. A indústria sustenta que a classe GLP-1 acompanha maior interesse de mercado, atraindo concorrentes.
O grupo de farmacêuticas mira expansão: Pfizer, Novartis e Eli Lilly desenvolvem remédios no mesmo estilo para emagrecimento, buscando aproveitar a demanda. Estimativas apontam até US$ 54 bilhões em faturamento anual dessas drogas até o fim da década, segundo Morgan Stanley.
A divulgação pública do uso contínuo levanta dúvidas sobre manutenção do efeito. Pesquisas indicam perda de peso média de 14,9% com Wegovy e resultados similares com Mounjaro. No entanto, o peso tende a retornar se o tratamento é interrompido.
Riscos, bulas e monitoramento
A bula norte-americana traz alerta em formato de “black box” sobre possível risco de câncer de tireoide em animais e incerteza sobre humanos. O texto também orienta contraindicação para quem tem histórico familiar de câncer de tireoide. O risco em pessoas permanece inconclusivo.
Estudos com roedores, primatas e humanos mostram resultados variados quanto ao vínculo com câncer de tireoide, pâncreas ou outras neoplasias. A obesidade, por si, aumenta o risco de diferentes tipos de câncer, o que complica avaliações isoladas.
No Brasil, a bula do paciente não traz menção detalhada a tumores em animais. Orienta apenas comunicar ao médico caso haja histórico de câncer na família. A diferença entre bulas profissional e de pacientes varia conforme país.
A prática clínica recomenda monitoramento cuidadoso de pacientes em uso de GLP-1, com avaliação de eficácia, efeitos adversos e necessidade de tratamento contínuo. A indústria assegura benefícios na obesidade, mas sem promover cura única.
Em resumo, não é possível confirmar que Ozempic e similares sejam perigosos nem assegurar sua inaplicabilidade total. A relação entre obesidade, câncer e uso de GLP-1 exige cautela e acompanhamento médico regular.
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