- A reunião da Comissão Interina do Oceano Índico para Atum (IOTC), realizada em Maurício de 8 a 12 de maio, não avançou na redução das capturas de atum-amarelo (Thunnus albacares) nem no controle de dispositivos de agregação de peixes (DFADs).
- O atum-amarelo continua considerado sobrepescado desde 2015, e há alertas de que a população pode entrar em colapso já em 2026, segundo análise de grupos de conservação.
- A União Europeia é apontada por críticos como influente demais nos interesses comerciais da frota regional, gerando resistência entre países costeiros.
- Em contrapartida, as Ilhas Maldivas lideraram propostas para restringir a frota industrial de cerco, enquanto a pesca artesanal de vários países aproxima-se de um terço da captura total.
- Também houve consenso para reduzir a pesca do bigeye (T. obesus) em quinze por cento em relação aos níveis de 2021, além da adoção de padrões de monitoramento eletrônico com inteligência artificial.
A reunião anual da Comissão Internacional para a Conservação de Tunídeos do Oceano Índico (IOTC) ocorreu em Maurício, entre 8 e 12 de maio. O foco foi a gestão das capturas de atuns, com ênfase na espécie yellowfin, cuja exploração é considerada insustentável desde 2015. O objetivo era reduzir a pressão sobre o estoque e limitar o uso de dispositivos de agregação de peixes (DFADs).
Apesar de o grupo ter reconhecido o estado de sobrepesca do yellowfin, não houve avanço significativo em medidas vinculantes para reduzir as capturas, inclusive dos juvenis. Observadores ressaltam que o estoque pode entrar em colapso em até 2026, segundo organizações ambientais.
Esforços sobre bigeye e monitoramento
O encontro aprovou uma medida para reduzir em 15% a pesca do bigeye em relação aos níveis de 2021, após tidos como sobrepesca desde 2022. Também foi lançado um regime de monitoramento eletrônico, com uso de inteligência artificial e sensoriamento remoto, para ampliar dados e transparência.
DFADs, pesca artesanal e tensões políticas
Foi discutida a redução do uso de DFADs, mas objeções da União Europeia impediram avanços mais fortes. Países costeiros, como Maldivas, defendem restrições às frotas de cerco industrial que operam com maior parte da captura de yellowfin. Observadores destacam o papel das pescarias artesanais.
Outras espécies e próximas etapas
A região enfrenta dificuldades similares com o skipjack, cuja gestão sustentável permanece desafiadora, apesar de não estar classificado como sobrepesca. Além disso, foram aprovadas propostas para reduzir o bycatch de aves marinhas e mamíferos, sem chegar a banir o uso de algumas gear de pesca.
Contexto e impactos econômicos
Especialistas apontam que cerca de 8 bilhões de dólares anuais são gerados pela pesca de tunídeos no Oceano Índico. A disputa entre estados costeiros e a UE, que domina grande parte da pesca comercial, alimenta tensões durante as negociações, com críticas sobre influência de lobbies.
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