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Barcos de pesca competem com baleias e pinguins por krill antártico

Vídeos mostram navios pesqueiros disputando krill com baleias e pinguins na Antártica, levantando alerta sobre regulação da frota e impactos ecológicos

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  • Dois grandes barcos de pesca de krill foram vistos atravessando águas do Oceano Antártico entre uma manada de cerca de 100 baleias-fin, enquanto puxavam redes longas.
  • A cena mostra o confronto entre baleias e a frota de pesca pelo krill, alimento básico da cadeia alimentar na região.
  • O pesquisador Matthew Savoca, da Stanford, afirma que a pesca de krill pode, por vezes, depender de baleias para localizar grandes aglomerados.
  • Estudos recentes associam queda de krill a impactos em pinguins, com medidas voluntárias da indústria para reduzir pesca em áreas de reprodução de aves marinhas.
  • Há debate entre indústria e cientistas sobre a recuperação das baleias e o papel de regulações no CCAMLR, com críticas a acordos voluntários voltados principalmente aos pinguins.

Os cientistas registraram um confronto entre a pesca de krill e predadores de topo no Antarctica. Dois grandes arrastos avançavam nas águas do Oceano Austral, entremeados por uma manada de dezenas de baleias-dentes. A pesca visava o krill antártico, base da cadeia alimentar.

O registro mostra as balsas percorrendo entre golfinhos de baleia, com redes longas e cheias de krill, enquanto baleias-fins observavam a passagem. O episódio ocorreu em março, próximo às Ilhas Sud Orkney, durante uma viagem conjunta de Sea Shepherd Global e a Bob Brown Foundation.

Em fevereiro, um estudo publicado na Ecology, assinado por Matthew Savoca e colegas, descreveu outro avistamento próximo às Ilhas Coronation, com quatro arrastos em presença de cerca de mil baleias-das-falas, um agrupamento de forrageamento significativo.

Os pesquisadores destacam que o conflito entre a frota de krill e baleias tem ocorrido há anos. Savoca afirma que a prática pode estar virando o oposto do que ocorreu no passado, quando vinham trilhando a busca por baleias para localizar grandes enxames de krill.

Interesses conflitantes no krill

O krill sustenta penguins, aves marinhas, seals e baleias, além de ser utilizado na alimentação de aquicultura, rações animais e suplementos. A pesca tem ganhado impulso internacional, com debates sobre seus impactos no ecossistema antártico.

Alguns estudos sugerem redução de krill regional devido às mudanças climáticas e à pesca, associando quedas a impactos em populações de penguins. Em 2019, estimativas apontaram 60 milhões de toneladas de biomassa de krill, com metas de manter pelo menos 75% na água para predadores.

A ARK, associação de empresas de krill, adotou medidas voluntárias em 2018 para reduzir a pesca próximo a colônias de penguins durante a reprodução. A indústria sustenta que as regras visam proteger aves e, ao mesmo tempo, deixa parte do krill disponível para predadores.

Profissionais de ciência e representantes da indústria divergem sobre a recuperação de baleias no Oceano Antártico. Alguns dados indicam recuperação de algumas espécies, embora nem todas voltem aos níveis anteriores. A discussão envolve a gestão de recursos sob CCAMLR.

O pesquisador Helena Herr, da Universidade de Hamburgo, aponta que apenas algumas baleias, como as jubartes, mostram recuperação, enquanto tunas como baleias-das-falas ainda estão em recuperação. Ela ressalta a necessidade de não explorar áreas de alimentação que possam prejudicar populações em recuperação.

A gestão da pesca de krill prevê a permanência de parte da biomassa na água para predadores, segundo representantes da indústria. Em 2019, estimaram uma biomassa de 60 milhões de toneladas, com objetivo de não reduzir esse patamar abaixo de 75% ao longo de 20 anos.

A polêmica envolve o equilíbrio entre proteção de baleias em recuperação e a atividade de pesca em áreas de alimentação críticas. Alguns pesquisadores defendem cautela para não comprometer populações que ainda estão se recuperando no ecossistema antártico.

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