- Estudo aponta falha catastrófica na reprodução de pinguins-imperadores na Antártida, associada à perda de gelo-mar causada pelo aquecimento global.
- Satélites mostraram que quatro de cinco colônias na Bellingshausen Sea não produziram filhotes que chegaram à fase de emplumação na primavera austral de dois mil e vinte e dois.
- A pesquisa acompanhou cinco sítios entre mil e seiscentos e sessenta e dois e oitenta e oito quilômetros da costa, incluindo Rothschild Island, Verdi Inlet, Smyley Island, Bryan Coast e Pfrogner Point, entre dois mil e dezoito e dois mil e vinte e dois.
- Em partes da região, houve perda de gelo-mar de cem por cento, tornando improvável a sobrevivência de filhotes deslocados sem gelo estável para se alimentar e se desenvolver.
- Os autores ressaltam que, se as emissões atuais persistirem, mais de noventa por cento das colônias podem ficar “quase extintas” até o fim do século.
A pesquisa aponta um colapso de reprodução entre pinguins-imperadores na Antártida, ligado à perda de gelo marinho. O estudo, publicado em Communications Earth & Environment, revela falha reprodutiva em quatro de cinco colônias na Baía Bellingshausen durante a primavera do Hemisfério Sul de 2022.
Pesquisadores monitoraram cinco locais entre 2018 e 2022, incluindo Rothschild Island, Verdi Inlet, Smyley Island, Bryan Coast e Pfrogner Point. Imagens de satélite mostraram gelo marinho fragmentado e ausência de pinguins na temporada de reprodução de 2022.
A ausência de gelo adequado ocorre quando o gelo não permanece ligado ao litoral entre abril e janeiro, impedindo reprodução, troca de penas à prova d’água e forrageamento. Mudanças no gelo reduzem a taxa de sobrevivência das crias.
Os dados indicam que, em 2022, partes da região central e leste da Baía Bellingshausen tiveram perda de gelo em 100%, o que torna improvável a sobrevivência das crias emancipadas. O gelo perdido, segundo estimativas, está associado a impactos do aquecimento global.
O líder da pesquisa, Peter Fretwell, do British Antarctic Survey, afirma que não houve falha de reprodução em tão grande escala em uma única temporada antes. A região afetada tornou-se menos propícia para o retorno das crias deslocadas.
A equipe continua o acompanhamento e verificou que 19 colônias ao redor da Antártida foram impactadas pela quebra precoce do gelo no ano anterior. O número representa cerca de 30% do total de colônias estudadas pela pesquisa.
Especialistas externos ressaltam que as colônias avaliadas são relativamente pequenas, e o efeito na população global pode ser limitado. Mesmo assim, destacam que a quebra precoce do gelo é um indicador preocupante para o futuro da espécie.
Estudos anteriores já previam que, se o aquecimento global continuar, mais de 90% das colônias de pinguins-imperadores estariam quase extintas até o fim do século, segundo o estudo citado. As descobertas reforçam a importância de monitoramento contínuo.
O gelo marinho na região antártica continua em níveis recorde,-inclusive durante o baixo inverno. Pesquisadores ajudam a entender como a variabilidade do gelo pode influenciar a sobrevivência das crias e a dinâmica populacional a longo prazo.
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