- Um estudo publicado no dia 26 de setembro na Science of the Total Environment mapeou a exposição de animais selvagens a PFAS, mostrando impactos em diversas espécies e regiões, incluindo áreas remotas como o Ártico.
- A pesquisa identifica mais de 600 espécies em risco devido aos PFAS, substâncias químicas persistentes usadas há décadas em diversos produtos.
- Entre os impactos observados estão imunidade suprimida, danos no fígado, problemas de desenvolvimento e reprodução, alterações no sistema nervoso e hormonal, além de distúrbios no microbioma intestinal.
- Observa-se evidência de contaminação em espécies de alto valor conservacionista, como ursos polares, focas, aves marinhas e tartarugas, com efeitos que variam conforme o habitat e a dieta.
- Os autores pedem ação imediata para remediar locais contaminados e regular químicos industriais, citando a falta de medidas suficientes de proteção à biodiversidade e à saúde humana.
PFAS, conhecidos como “químicos eternos”, ameaçam a vida selvagem em todo o mundo. Um estudo recente revisa pesquisas publicadas e mapeia a exposição de animais a PFAS, incluindo em regiões remotas como o Ártico. Os impactos vão de imunidade reduzida a danos hepáticos e reprodutivos.
A pesquisa, publicada em a Science of the Total Environment, compila dados de mais de 600 espécies em risco. O levantamento aponta que as substâncias permanecem no ambiente por longos períodos e se alastram por rios, ventos e marés, alcançando áreas distantes de fontes primárias de poluição.
O estudo, liderado pelo cientista David Andrews, da Environmental Working Group, analisa como a exposição aos PFAS se associa a alterações no sistema nervoso, hormonal e metabólico. Os autores destacam a necessidade de ações rápidas para conter contaminação e regular químicos industriais.
Abrangência e evidência
Entre os animais afetados, destacam-se ursos polares, baleias, aves marinhas do Ártico e tartarugas, com relatos de problemas na imunidade, desenvolvimento e reprodução. Em locais como a Cape Fear River, nos EUA, foram observadas feridas não cicatrizadas em jacarés-americanos.
Mapas gerados no estudo apontam hotspots de PFAS nos Estados Unidos, Europa, China e Austrália. Segundo Andrews, a presença é relativamente universal, com impactos observados mesmo em áreas distantes de fontes industriais diretas.
A pesquisa também cita casos em que riscos à saúde humana estão conectados à contaminação ambiental. A literatura sustenta que PFAS podem alcançar o cérebro, afetar memória, comportamento e desenvolvimento em espécies sensíveis.
Perspectivas sobre políticas públicas
Os autores ressaltam que governos nacionais mantêm regulação restrita ou ausente sobre PFAS, apesar de evidências crescentes de danos a fauna e pessoas. O estudo recomenda remediar sítios contaminados e impor regras mais rígidas sobre o uso de PFAS.
Em diferentes regiões, já há iniciativas que restringem PFAS ou banem seus usos específicos. Países de prática regulatória mais avançada adotam medidas para reduzir a disponibilidade de PFAS em embalagens, bens de consumo e equipamentos de combate a incêndios.
Pesquisadores destacam que, embora a pesquisa sobre PFAS em animais ainda seja recente, avanços tecnológicos permitem prever efeitos entre espécies. A presença dessas substâncias pode comprometer a saúde de ecossistemas inteiros.
Caminho à frente
Os autores defendem ações coordenadas para reduzir emissões, limpar áreas contaminadas e fortalecer regulações internacionais. O objetivo é proteger espécies ameaçadas e reduzir riscos para a biodiversidade global diante da crise ambiental.
Estão em jogo medidas de vigilância ambiental, padrões de qualidade da água e políticas de remediation para áreas de alto risco. A consolidação de dados entre espécies, ecossistemas e atividades humanas é apontada como essencial para decisões futuras.
Entre na conversa da comunidade