- O aquecimento e as secas mais intensas afetam a cafeicultura no Brasil, com incêndios na Amazônia repercutindo em produtores de outras regiões, como Mococa, em São Paulo.
- Modelos mostram que os dias com temperaturas acima de 34 °C durante a floração devem aumentar até 10 dias por mês até 2050, com queda de chuva prevista em torno de 10% na metade do século.
- A variedade arábica, dominante entre pequenos produtores, é mais sensível ao calor e pode ter alterações de desenvolvimento e queda de qualidade devido a temperaturas elevadas e padrões climáticos imprevisíveis.
- Adaptações comuns incluem irrigação, sombreamento (plantio de árvores entre cafezais) e melhorias genéticas, mas a transição requer tempo, investimentos e estrutura adequada.
- A agroflorestação em fazendas familiares, como a Fazenda Ambiental Fortaleza, tem mostrado benefícios em produtividade e saúde do ecossistema, reforçando a importância de práticas de manejo sustentável para enfrentar o clima.
O avanço das mudanças climáticas coloca em risco a produção de café no Brasil, mesmo em regiões distantes dos focos de fogo. Em Mococa, São Paulo, fazendas familiares já relatam aumento de queimadas que afetam áreas de cultivo de arabica, o principal tipo exportado. O cenário preocupa produtores e organizações que monitoram o setor.
A Fazenda Ambiental Fortaleza (FAF), de Felipe Barretto Croce, está localizada entre o Cerrado e a Mata Atlântica e cultiva 10 hectares de café orgânico. A propriedade aponta safras cada vez mais sensíveis a mudanças climáticas, com verões longos, secas prolongadas e queda de chuvas associadas à devastação na Amazônia.
According to modeling by Gro Intelligence, the number of days with extreme heat during the critical flowering period (setembro a outubro) pode aumentar em até 10 dias por mês até 2050. A previsão aponta redução de 10% na chuva na média até o meio do século para o principal cultivo brasileiro.
Cenários regionais e espécies de café
No Sul de Minas, no Espírito Santo e em Rondônia, as diferentes regiões enfrentam impactos diversos. A cafeicultura arábica, dominante em muitas áreas, é mais sensível ao calor, o que pode provocar irregularidades na floração e na maturação, prejudicando qualidade e produtividade.
O conilon e a robusta, que predominam no Espírito Santo e em Rondônia, mostram resistência relativamente maior, mas sofrem com quedas de rendimento em cenários climáticos extremos. Estudos indicam necessidade de mais pesquisas para compreender plenamente esses tipos.
Adaptação e soluções
Especialistas ressaltam que a migração de áreas de cultivo não é simples, pois a cafeicultura é uma cultura perene com infraestrutura e know-how específicos. A irrigação é a medida de adaptação mais utilizada, ainda que dependa de disponibilidade hídrica local.
Entre as estratégias, destaca-se o sombreamento com árvores entre as plantas, que reduz temperatura e estresses, além de melhorar controle de pragas e conservação do solo. Pesquisas indicam ganhos de produtividade por polinização natural bem equilibrada.
Pode a agrofloresta ser a saída?
Family farms, como a FAF, adotam agrofloresta para conciliar produção com conservação. Em Mococa, a fazenda também investe em manejo que protege solo e umidade, apoiando polinizadores. Estudos indicam aumento na produtividade quando a polinização é favorecida.
Além disso, a pesquisa mostra que áreas com maior reserva legal e práticas agroflorestais tendem a apresentar maior resiliência a variações climáticas. O tema permanece central para o futuro do café brasileiro.
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