- Cerro de Pasco, Peru, é dominada pela enorme cratera da mina a céu aberto Raúl Rojas, com quase 2 quilômetros de largura e mais de 300 metros de profundidade, no centro da cidade a mais de quatro mil metros de altitude.
- Cerca de 80 mil habitantes vivem expostos a metais pesados, em uma área considerada pela ONU como uma das mais contaminadas, com impactos à saúde e ao futuro das famílias; a mineradora Volcan e a Glencore enfrentam críticas por falta de responsabilidade.
- Recursos hídricos e solos próximos às áreas de mineração apresentam alta contaminação: o reservatório de água alcalinizada de Yanamate, o rio Ragra e lagoas de rejeitos superam limites seguros de metais como chumbo, arsênio e cádmio.
- Estudos de Source International indicam níveis elevados de chumbo em crianças, com implicações no desenvolvimento cognitivo; a média de Qi de crianças em Paragsha fica abaixo da de cidades vizinhas sem mineração.
- As autoridades são vistas como inconsistentes na resposta; governos e governos locais lançaram ações no passado, mas permanecem sem planos decisivos, alimentando sensação de abandono pela população.
O Cerro de Pasco, no Peru, concentra uma das maiores crateras a céu aberto do mundo, a Raúl Rojas. A jazida, que se estende por quase 2 km e atinge mais de 300 metros de profundidade, domina a cidade aos 4.300 metros de altitude. A área abriga cerca de 80 mil habitantes, que convivem com a contaminação por metais pesados há décadas.
Um relatório das Nações Unidas, divulgado em fevereiro de 2022, apontou Cerro de Pasco como uma das “zonas de sacrifício” da região, destacando uma enorme mineração adjacente a comunidades expostas a metais pesados. O estudo estima mortes globais associadas à contaminação ambiental e impactos na saúde dos trabalhadores.
A atividade mineira representa aproximadamente 10% do PIB peruano, com exportações de mineração atingindo cerca de 66 bilhões de dólares em 2022. A história da região remonta ao século 17, quando cheguei a atração de prata e zinco colocou Cerro de Pasco entre as maiores cidades do país.
Em 1999, a Volcan Compañía Minera S.A.A. comprou a mineração Raúl Rojas, pertencente à Paragsha, e hoje a Volcan opera várias unidades, com participação relevante da Glencore. A gestão tem sido alvo de críticas pela continuidade de impactos ambientais mesmo após quedas na atividade.
Desde 2009, a ONG Source International monitora a qualidade da água, solo e rios locais, incluindo o rio Ragra e os lagos Quiulacocha e Yanamate, que funcionam como depósitos de resíduos. Relatórios recentes mostraram concentrações perigosas de chumbo, arsenio, mercúrio e cadmio.
Dados da ONG indicam que o Rea do Quiulacocha apresenta cadmio até 3.200 vezes o limite permitido. Outras métricas de rios e lagos indicam elevações dramáticas de metais, com riscos para atividades de consumo humano e ecossistemas regionais.
O reservatório de água ácido Yanamate também não tem um plano de fechamento ambiental aprovado, segundo autoridades ambientais. O OEFA alerta para o risco de transbordamento, que poderia ampliar a contaminação na região.
Estudos apontam que crianças de Paragsha apresentam elevado teor de chumbo no sangue e traços de ferro e alumínio acima do permitido. Testes de cabelo em adolescentes indicaram chumbo 43 vezes acima do nível aceitável, gerando preocupações sobre desenvolvimento cognitivo.
Lideranças locais destacam que pouco foi feito para reduzir os riscos.-levelos de saúde pública, educação e infraestrutura permanecem desafiadores, com críticas à atuação governamental e à responsabilidade corporativa na mitigação dos impactos.
A cidade mantém campanhas comunitárias de conscientização e iniciativas locais para melhorar higiene e acesso à água potável filtrada. Em escolas da região, medidas simples ajudam a reduzir a exposição, mas não substituem políticas de longo prazo.
Estudos independentes ressaltam que o ambiente contaminado representa um obstáculo para o desenvolvimento infantil, com impactos no aprendizado e no bem-estar. Organizações locais e internacionais cobram ações mais decisivas para proteção da população.
O movimento “Vida se, plomo não” simboliza a demanda por justiça ambiental na região. Familiares de crianças afetadas relatam dificuldades de acesso a cuidados médicos e à responsabilização de autoridades e empresas pela poluição histórica.
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