- Pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo criaram um banco de dados com medidas anatômicas de fósseis para defender que a origem do Homo sapiens é única e na África.
- Entre sessenta mil e duzentos mil anos atrás, espécies distintas habitavam o mundo: na África o Homo bodoensis, na Europa o Homo heidelbergensis e na Ásia o Homo daliensis.
- Estudos, baseados em traços cranianos e dentais, apontam diversidade morfológica entre as espécies, já que o DNA não foi preservado nesses fósseis.
- O levantamento sustenta que o Homo sapiens surgiu há cerca de 250 mil anos na África, enquanto o Homo heidelbergensis na Europa deu origem aos neandertais há cerca de 450 mil anos.
- Evidências de cruzamento entre sapiens e outras espécies aparecem em traços de neandertais e denisovanos; mesmo assim, as espécies não são consideradas mais evoluídas umas que as outras, e sapiens forma um grupo coeso.
O estudo apresentado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP levanta a hipótese de origem única do Homo sapiens no continente africano. A pesquisa, em andamento, analisa medidas anatômicas de fósseis muito antigos para entender a diversidade de espécies humanas pré-históricas.
Entre 500 mil e 250 mil anos atrás, distintas espécies ocupavam áreas da África, Europa e Ásia. O grupo liderado por Gabriel Rocha, com Walter Neves e as estudantes Maria Helena Senger e Letícia Valota, reexamina crânios e dentes de fósseis do Pleistoceno médio para reconstruir a história evolutiva.
A conclusão inicial aponta que os sapiens surgiram na África cerca de 250 mil anos atrás e que a variante europeia Heidelbergensis deu origem aos neandertais há cerca de 450 mil anos. Na Ásia coexistiam denisovanos, remanescentes de Homo erectus e, em Filipinas, Homo floresiensis.
Metodologia e resultados
A pesquisa utiliza traços anatômicos, já que o DNA não está preservado em fósseis tão antigos. Dados novos de crânios sugerem que a população sapiens manteve uma morfologia coesa ao redor do mundo, enquanto a chamada Heidelbergensis apresentava grande variabilidade.
Os autores destacam que o cruzamento entre sapiens e outras espécies, em África e fora do continente, fica registrado em traços genéticos de neandertais e denisovanos presentes em muitas populações atuais. Mesmo assim, as características centrais dos sapiens originais permanecem.
A leitura dos fósseis indica que a chegada de humanos modernos ao Oriente Médio ocorreu há cerca de 180 mil anos, e na Europa, há 50 mil anos. As substituições de espécies antigas pelos sapiens ocorreram de forma regional ao longo do tempo.
Maria Helena Senger ressalta que não há hierarquia entre espécies: a evolução é resultado de adaptações ao ambiente, sem um pico único de superioridade. O estudo reforça a ideia de uma origem africana comum para as populações humanas.
Interpretações adicionais
O gráfico gerado pela análise estatística evidencia o agrupamento de sapiens, fortalecendo a teoria de uma origem africana compartilhada. Segundo Letícia Valota, se a origem fosse multifocal, o agrupamento não seria tão claro.
O trabalho afirma que a compreensão das relações entre espécies humanas depende de novas interpretações a partir de traços fósseis e não apenas de dados genéticos, quando disponíveis. As conclusões adquiridas buscam uma visão consolidada da diversidade pré-humana.
Entre na conversa da comunidade