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O que é a constelação familiar e quais são seus perigos

Constelação familiar avança no SUS e no Judiciário sem respaldo ético, suscitando debates sobre eficácia, regulamentação e riscos a vítimas

Roldanas quebradas não funcionando e intervenção de uma pessoa de fora arrumando.
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  • A constelação familiar é apresentada como terapia, mas não tem aval do Conselho Federal de Psicologia e é classificada como pseudociência baseada em misticismo.
  • Relatos de abusos, humilhações e situações traumáticas em sessões levantaram críticas sobre sua aplicação clínica e ética.
  • A prática ganhou força no SUS e é amplamente usada no judiciário brasileiro, especialmente em varas de família para conciliar, em um modelo chamado direito sistêmico.
  • Não há regulamentação específica: a prática ocorre de forma informal sob a iniciativa de cada juiz, e há ausência de controle sobre sua disseminação, mesmo com a existência de normas gerais do CNJ desde 2010.
  • Em 2023 o Conselho Federal de Psicologia emitiu nota técnica contrária, apontando incompatibilidade com ética e com as noções da psicologia; tramitações legislativas sobre o tema estão paradas.

Em Brasilia e no país, a constelação familiar ganhou espaço como técnica terapêutica, ainda sem aval do Conselho Federal de Psicologia. Defensores a encaram como ferramenta de resolução de conflitos; críticos a apontam como pseudociência com raízes místicas.

A prática foi incorporada a mais de 16 estados e ao Distrito Federal, segundo registros de 2018. No Judiciário brasileiro, o uso ficou popularizado pelo juiz Sami Storch, da Bahia, que criou o conceito de “direito sistêmico” para conciliar disputas em varas de família.

Nos relatos, consteladores organizam sessões em grupo com representantes de familiares. Em alguns casos, pacientes relatam experiências emocionais intensas, incluindo situações traumáticas como abuso. A técnica é apresentada como alternativa a processos judiciais longos.

O debate envolve quem está envolvido: pacientes, consteladores, juízes, advogados e entidades acadêmicas. O tema também envolve o SUS, onde a prática aparece entre as PICs de terapias complementares, apesar de críticas à falta de evidência científica.

Ao longo dos anos, houve avanços para regulamentação e debate público. Audiências no Senado em 2022; projetos no Congresso e posicionamentos de instituições como o CFP, que em 2023 classificou a prática como incompatível com a Psicologia.

Por que envolve risco e controvérsia

Críticos apontam que não há testes clínicos robustos sobre eficácia ou segurança da constelação. Há relatos de revitimização de mulheres em contextos judiciais, o que aumenta a preocupação com límites éticos e proteção de vítimas.

Defensores argumentam que a técnica pode acelerar acordos e reduzir custos, sugerindo que participa quem quer. Contudo, a ausência de regras nacionais favorece a variação de aplicação e expõe o sistema a episódios problemáticos.

panorama regulatório e institucional

A prática carece de regulamentação específica nos tribunais; a Resolução 125 do CNJ, de 2010, não trata diretamente da técnica, mas abre espaço para meios alternativos de resolução de conflitos. Em 2023, o CFP reiterou que a constelação é incompatível com as normas éticas e técnicas da Psicologia.

Pesquisadores destacam a necessidade de observar impactos éticos, especialmente em casos de violência de gênero e abuso. Em paralelo, há comissões de “direito sistêmico” em filiais da OAB e relatos de adoção variada nos tribunais.

Este tema segue em discussão pública e legislativa, com propostas de regulamentação, profissionalização do constelador e eventual proibição em serviços públicos. O assunto permanece em evolução e sem consenso definitivo.

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