- Pesquisadores reuniram setenta e cinco participantes para cantarem músicas de suas culturas, gravando obras de cinquenta e cinco idiomas diferentes.
- Em análise comparativa, as músicas apresentaram características sonoras comuns que não aparecem na fala, o que sustenta a ideia de traços universais da música.
- A equipe multidisciplinar incluiu musicólogos, psicólogos, linguistas, biólogos evolutivos e músicos, e os participantes também recitaram letras sem melodia para comparação com a fala.
- O estudo participa de um debate antigo sobre a origem da música, entre teorias evolutivas — que veem benefício para a seleção natural — e explicações culturais.
- Embora haja indicativos de padrões universais, os autores reconhecem possíveis vieses, como a escolha de repertórios por académicos, e ressaltam que o papel da música ainda é assunto de discussão.
A ciência tenta explicar por que as pessoas fazem música. Pesquisadores de várias áreas buscaram padrões universais em canções de culturas distintas, questionando se a música tem função evolutiva ou se é fruto da cultura. O debate persiste desde as hipóteses do naturalista Charles Darwin, no século XIX, até estudos recentes.
Uma equipe internacional de 75 pesquisadores conduziu uma investigação que reuniu gravações em 55 idiomas. O objetivo foi identificar características sonoras comuns entre canções de diferentes povos, separando-as da fala cotidiana. O estudo envolveu musicólogos, psicólogos, linguistas, biólogos evolutivos e músicos profissionais.
O que aconteceu
Os investigadores cantaram músicas de suas próprias culturas e gravaram as performances em diversas condições. Além da leitura das letras sem melodia, as canções foram executadas com instrumentos variados para ampliar o conjunto de dados. As gravações foram analisadas em busca de seis características sonoras.
Quem está envolvido
Entre os participantes estão pesquisadores de universidades na Europa, Ásia, Oceanía e América do Norte. A equipe contou com especialistas que atuam tanto na academia quanto na prática musical, além de colaboradores que contribuíram com o recrutamento de cantores tradicionais.
Quando e onde
A pesquisa foi publicada na última quarta-feira e envolve atividades realizadas ao longo de várias fases em diferentes países. As sessões ocorreram em ambientes de universidades e centros de pesquisa onde os participantes gravaram canções de suas culturas.
Por que
Os resultados indicam que, apesar da diversidade cultural, as músicas compartilham características não encontradas na fala. O tom tende a ser mais alto e estável, enquanto o tempo se apresenta mais lento em relação à fala cotidiana, sugerindo um possível papel universal da música.
Perspectivas e limitações
Especialistas destacam que o perfil dos cantores no estudo era majoritariamente acadêmico, o que pode ter introduzido viés. Ainda assim, avaliações independentes apontam padrões semelhantes em pesquisas não publicadas. Alguns acreditam que a música pode ter função de coesão social.
Possíveis explicações
Uma linha de interpretação defende que a música evoluiu para fortalecer vínculos de grupo e coordenação social, como em coros ou rituais. Outros veem a música como expressão cultural que pode ter surgido sem seleção natural específica, seja pela necessidade de comunicação ou pela estética.
Entre na conversa da comunidade