- Pesquisadores usam inteligência artificial para identificar possíveis sítios arqueológicos a partir de imagens de satélite e variáveis ambientais, avançando além da álgebra de mapas tradicional.
- O projeto Mapha (Mapeamento do Patrimônio Arqueológico da América do Sul) busca criar uma base de dados de acesso público, com foco em regiões de alto risco de destruição, como a Amazônia e o Cerrado brasileiro.
- Um modelo preditivo tenta estimar, a partir de dados ambientais, a probabilidade de ocorrência de sítios em determinadas áreas, começando pela Amazônia colombiana para depois alcançar outras regiões.
- Outro eixo envolve detectar marcas humanas na vegetação geradas pela ocupação histórica, treinando a IA com imagens de satélite para localizar possíveis sítios em áreas não mapeadas.
- Especialistas ressaltam que as IA não substituem a atividade humana nem substituem o controle local, destacando a necessidade de checagem em campo, adaptação regional dos modelos e proteção de dados para evitar danos aos sítios.
Décadas de trabalho arqueológico começam a se apoiar em inteligência artificial para mapear sítios potenciais na América do Sul. A ideia é unir dados ambientais e sinais históricos para indicar áreas com maior probabilidade de abrigar vestígios, facilitando futuras pesquisas.
O projeto Mapha (Mapeamento do Patrimônio Arqueológico da América do Sul) usa imagens disponíveis de satélite para treinar IA que identifique locais ainda desconhecidos. A equipe visa criar uma base de dados de acesso livre sobre patrimônio cultural em regiões de alto risco de destruição, como o cerrado brasileiro e a Amazônia.
A dupla de modelos de IA envolve um algoritmo preditivo semelhante à velha álgebra de mapas, porém com tecnologia atual. O objetivo é estimar, a partir de variáveis ambientais, onde sítios arqueológicos podem ocorrer, começando pela Amazônia colombiana, com aplicação futura na Amazônia brasileira.
Detecção pela vegetação
Outro caminho já em estágio avançado parte do entendimento de que a ocupação humana deixa marcas na vegetação. Ao observar sinais na vegetação, a IA busca identificar anomalias que indiquem sítios arqueológicos, com validação in loco para confirmar a presença de vestígios.
Essa abordagem demonstra que diferentes regiões exigem modelos adaptados. Pesquisadores de instituições globais destacam a necessidade de pluralidade de IA para variar conforme o território, evitando generalizações excessivas.
Limites e responsabilidades
Os especialistas ressaltam que a IA não substitui o trabalho humano nem a verificação em campo. Um segundo modelo testa a aplicação em regiões distintas para medir a efetividade fora do alcance dos dados originais, ajustando o método aos contextos locais.
Projetos como Geopacha, entre os Andes, tentam mapear sítios arqueológicos por meio de IA. A finalidade é ampliar o mapeamento regional, ao mesmo tempo em que se protege o patrimônio, evitando a divulgação de locais exatos que possam sofrer ataques ou destruição.
Debate técnico e ético
Pesquisadores ressaltam que a IA deve funcionar como ferramenta de apoio, acelerando análises sem substituir o olhar científico. A ideia é observar padrões de fundo e densidade de sítios, em vez de revelar pontos precisos de achados históricos.
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