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Relatório da WWF traz esperança na conservação, mas alerta planeta em perigo

Sinais de estabilização de elefantes da floresta em parque da República Centro-Africana, mas WWF alerta para crise global de biodiversidade e financiamento inadequado

Loxodonta africana cyclotis. Forest elephant bull Gamba, Gabon. Image courtesy of WWF / Hervé MORAND.
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  • Em alguns locais, como o Parque Nacional Dzanga-Sangha, na República Centro-Africana, equipes anti-caça e envolvimento de comunidades reduziram a caça de elefantes, sinalizando estabilização das populações de elefantes-do-bosque.
  • Quase metade dos elefantes-do-bosque da África Central deve-se acreditar estar em Gabão, segundo o estudo.
  • As gorilas-das-montanhas, com pouco mais de mil indivíduos no mundo, tiveram aumento de cerca de três por cento ao ano entre 2010 e 2016, impulsionado por manejo dedicado de áreas protegidas e ações de saúde veterinária; o Virunga Massif é um exemplo.
  • O relatório aponta que, apesar de sinais de melhoria, a conservação de elefantes e gorilas enfrenta ameaças como caça, perda de habitat, doenças como o Ebola e mudanças climáticas.
  • O Living Planet Report registra queda de setenta e seis por cento na fauna da África nos últimos cinquenta anos, com ecossistemas de água doce sofrendo queda de oitenta e cinco por cento; aponta necessidade de reformular o sistema financeiro global para apoiar a sustentabilidade ambiental.

O WWF divulgou, em um briefing, o Living Planet Report, que aponta avanços modestos na conservação, mas alerta para a fragilidade do planeta. O destaque fica por conta de iniciativas com povos indígenas e comunidades locais em áreas protegidas.

No parque Dzanga-Sangha, na República Centro-Africana, equipes anti-caça foram implantadas para reduzir a caça de elefantes, principal fator de declínio da espécie na região. A cooperação com comunidades locais e planejamento territorial também contribuíram para frear o abatimento da população. No conjunto da África Central, quase metade dos elefantes-da-floresta estariam em Gabão.

O relatório aponta ainda que há cerca de 1000 macacos-pongo-montanha no mundo, com aumento anual de 3% entre 2010 e 2016, especialmente na região do Virunga Massif, com conservação dedicada, gestão de áreas protegidas e monitoramento de grupos em habituamento. Gorilas-da-montanha vivem principalmente em Ruanda, Uganda e RDC.

Entretanto, o documento frisa que a situação ainda é desafiadora. Expõe que a caça para ivory e carne de caça de animais silvestres persiste como ameaça. A fragmentação de habitats pela mineração, agricultura e desmatamento agrava o conflito homem-animal e reduz áreas disponíveis para as espécies.

O Living Planet Report traz dados sobre a biodiversidade africana: a população de animais selvagens na África caiu 76% nos últimos 50 anos, com ecossistemas de água doce sendo os mais impactados, registrando queda de 85%. A reportação cita construção de barragens, pesca excessiva e poluição como pontos críticos.

Para além do quadro biológico, o estudo aponta falhas de financiamento. Aproximadamente 7 trilhões de dólares por ano vão para práticas que prejudicam ecossistemas, enquanto apenas cerca de 200 bilhões são aplicados em soluções baseadas na natureza. A mensagem é de que o sistema financeiro precisa mudar.

Segundo Jonas Kemajou, gerente de financiamento de paisagens Tridom da WWF, há a necessidade de reavaliar recursos para conservar ecossistemas. O relatório recomenda duas frentes: financiar a conservação por meio de investimentos em soluções baseadas na natureza e tornar as finanças mais verdes, alinhando-as a metas de sustentabilidade.

O documento sustenta que o que ocorrer nos próximos cinco anos poderá definir o futuro da vida no planeta. Em especial, aponta a urgência de tratar a perda de natureza e as mudanças climáticas como questões interligadas que exigem ação coordenada.

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