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O que a ciência já sabe sobre a conexão entre cérebro e intestino

Conexão cérebro-intestino é eixo fisiológico crucial; pesquisas associam alterações a transtornos mentais, doenças metabólicas e câncer

À esquerda da imagem, ilustração de um cérebro humano de perfil sobre um fundo verde claro; à direita, a ilustração de um intestino humano sobre um fundo rosa claro
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  • A ciência estuda cada vez mais o eixo intestino-cérebro, o que envolve conectoma cerebral, conectoma intestinal e microbiota, modulando imunidade, metabolismo, ciclo circadiano e comportamento.
  • Estudos mostram que alterações nesse eixo afetam saúde e doenças em várias áreas da medicina, incluindo transtornos mentais, síndromes metabólicas, desordens dolorosas, autoimunidade e oncologia.
  • Em 2023, a base PubMed registrou 1.845 artigos sobre o eixo intestino-cérebro, destacando o crescimento do tema e novas perspectivas de tratamento.
  • O livro Eixo Intestino-Cérebro: teorias e aplicações clínicas, organizado por Carla Taddei, Marcus Vinícius Zanetti e Emeran Mayer, aborda microbiota, hospedeiro, neuromodulação, alimentação, exercício, testes laboratoriais e terapias como prebióticos, probióticos e transplante de microbiota fecal.
  • O volume reúne contribuições de pesquisadores da USP e UCLA, e visa tornar o tema acessível a profissionais de saúde e, em menor medida, ao público leigo, com foco na interpretação de exames e na aplicação clínica.

O eixo intestino-cérebro ganha destaque em estudo coordenado por pesquisadores brasileiros. Um livro lançado pela Manole aborda a integração entre o cérebro e o sistema digestivo, seus impactos na saúde e nas doenças, com foco na evidência atual.

A obra, organizada pela professora da USP Carla Taddei, pelo psiquiatra Marcus Vinícius Zanetti e pelo gastroentero e neurocientista Emeran Mayer, reúne teoria e aplicações clínicas sobre microbiota, hospedeiro e vias de comunicação entre sistemas. O trabalho consolida o eixo como componente crucial da homeostase.

O livro analisa como a microbiota intestinal, o conectoma cerebral e o conectoma intestinal se relacionam, além das redes que modulam imunidade, metabolismo e comportamento. Em síntese, o eixo influencia desde transtornos psiquiátricos até síndromes metabólicas.

Carla Taddei explica que a interação cérebro-intestino é extremamente complexa e individual. O texto destaca que metabolitos comuns podem mediar respostas diferentes entre pessoas com microbiotas distintas, evidenciando a variabilidade biológica.

Segundo Zanetti, os achados atuais explicam por que transtornos mentais aparecem junto a distúrbios metabólicos e doenças gastrointestinais. A relação entre ansiedade, depressão e condições clínicas ganha destaque na literatura recente.

A seção inicial do livro foca em microbiologia e metodologias ômicas, preparando o terreno para entender a relação entre microbiota, alimentação e atividades físicas. A equipe ressalta a importância de interpretação cuidadosa dos exames de microbioma.

Os autores destacam ainda a presença de fatores comerciais no campo dos exames, com variações de padronização entre laboratórios. O objetivo é orientar profissionais de saúde a interpretar resultados com critérios técnicos e clínicos.

O material também aborda testes laboratoriais voltados à saúde gastrointestinal, destacando que alguns exames da microbiota devem ser usados com indicação médica e interpretação apropriada. A obra ressalta limitações atuais.

Sobre os autores e o livro

Coordenadores: Marcus Vinícius Zanetti, Carla Romano Taddei, Emeran Mayer. Editora Manole, 640 páginas. A publicação reúne contribuições de pesquisadores da USP e da UCLA, com foco em teoria, prática clínica e perspectivas terapêuticas.

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